ONU alerta para aumento da insegurança alimentar no mundo

Fome afeta brasileiros na pandemia

O estudo  “Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil” apontou que aproximadamente 125,6 milhões de pessoas no Brasil não se alimentavam de forma adequada ou demonstravam incerteza em relação ao acesso à alimentação no futuro durante a pandemia da Covid-19.

O estudo foi realizado com duas mil pessoas entre os meses de agosto e dezembro de 2020 e foi coordenado pelo Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça da Universidade Livre de Berlim em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e com a Universidade de Brasília.

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Insegurança alimentar

Também foi identificado no estudo que cerca de 59,4% dos domicílios brasileiros tinham algum grau de insegurança alimentar e destes, 44% reduziram o consumo de carne e 41% de frutas.

Dos domicílios que apresentaram situação de insegurança alimentar, aproximadamente 31,7% tinham insegurança leve, 12,7% tinham insegurança moderada e 15% tinham insegurança grave.

Vale mencionar que a principal diferença entre os níveis de segurança alimentar está na incerteza sobre a capacidade de se obter alimentos por um período específico. Além disso, também deve ser levada em consideração a qualidade nutricional dos alimentos consumidos.

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Fome afeta brasileiros na pandemia

O relatório apresentado no estudo ainda apontou que o Nordeste é a região mais afetada pela insegurança alimentar, chegando a 73,1% dos domicílios.

A região Norte vem logo em seguida com 67,7%, enquanto o Centro-Oeste apresenta 54,6% e o Sudeste possui 53,5%. 

A região Sul foi a única a apresentar um cenário melhor de insegurança alimentar com 51,6% dos domicílios atingidos.

Mundo

Outro relatório realizado em nível internacional demonstrou que houve um aumento da fome em 2020 relacionado à pandemia. Um dos dados obtidos apontou que um décimo da população global, ou seja, cerca de 811 milhões de pessoas passaram fome no ano passado. 

O relatório foi publicado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura em conjunto com o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde.

Vale ressaltar que em edições anteriores a questão da segurança alimentar de milhões de pessoas já tinha sido abordada, mas de acordo com os chefes das cinco agências da ONU “a pandemia continua a expor fraquezas em nossos sistemas alimentares, que ameaçam a vida e a subsistência de pessoas em todo o mundo”.

Avaliação global

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Em nível global e em termos absolutos e proporcionais a pesquisa estimou que cerca de 9,9% de todas as pessoas foram impactadas com a fome no ano passado em comparação com 8,4% em 2019.

Em relação às regiões, mais da metade dessas pessoas vivem na Ásia (418 milhões) e mais de um terço na África (282 milhões). Na América Latina e no Caribe o número chegou a 60 milhões de pessoas.

Apesar da Ásia apresentar o maior número, o aumento mais acentuado foi notado na África, pois prevaleceu uma estimativa de 21% da população, caracterizando mais do que o dobro de qualquer outra região.

Acesso a alimentação

O estudo também mostrou que no ano passado cerca de 2,3 bilhões de pessoas, ou seja, 30% da população global não tinham acesso à alimentação adequada.

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Além disso, o impacto foi sentido em termos de gênero, pois para cada 10 homens, cerca de 11 mulheres apresentavam insegurança alimentar e um terço daquelas que estavam em idade reprodutiva sofriam de anemia. 

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A má nutrição registrada na pesquisa afetou principalmente as crianças, pois mais de 149 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade sofriam de desnutrição crônica e mais de 45 milhões apresentavam desnutrição aguda.

É importante ressaltar que a má nutrição é uma condição relacionada a deficiências, excessos ou desequilíbrios no consumo de nutrientes.

Outras causas

Além da pandemia, outros fatores já vinham contribuindo para o aumento da fome e da insegurança alimentar no mundo.

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Entre eles é possível mencionar os conflitos entre nações, o clima extremo em algumas regiões, recessões econômicas, desigualdades, entre outros.

De acordo com os dados apresentados até o momento, o Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo afirma que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável que visa à fome zero até 2030 não será atingido.

Nesse caso, haverá uma margem de aproximadamente 660 milhões de pessoas, sendo cerca de 30 milhões oriundas das consequências a longo prazo da pandemia.

Fontes: UOL, UNICEF e Brasil de Fato.

Julia de PaulaJulia é formada em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e, no momento, atua como redatora para o portal NoDetalhe. Ao longo da carreira, a jornalista tem se especializado em produção de conteúdo otimizado para motores de busca e conversão, além de gerenciamento de mídias sociais e marketing digital.
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