Aumento no Bolsa Família pode causar inflação?

As mudanças no programa Bolsa Família, principalmente o aumento do benefício, são esperadas por muitos brasileiros que enfrentam uma série de vulnerabilidades sociais.

Apesar das expectativas em relação às vantagens que a ampliação do pagamento promete oferecer, especialistas apontam que tal mudança pode recair sobre a inflação.

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Aumento do Bolsa Família pode causar inflação? O que dizem especialistas

No entanto, parece que não é o aumento do benefício que pode prejudicar a economia do Brasil especificamente.

De acordo com o diretor-presidente da Instituição Fiscal Independente, Felipe Salto, o encarecimento do custo de vida é que é o real problema.

Mudanças no Bolsa Família podem afetar ou não a inflação?
Mudanças no Bolsa Família podem afetar ou não a inflação? | Imagem: Canva

Felipe afirma que  “Quando você olha o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), você vê que a alimentação, fora e dentro do domicílio, carne, arroz, feijão, coisas básicas são os que mais têm aumentado. O auxílio ajuda a amenizar esse fator, mas não resolve, O botijão de gás, por exemplo, está custando quase R$100, dependendo da região”.

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Dólar

Diante desse cenário, o aumento do Bolsa Família pode causar efeito no consumo, mas a taxa de câmbio seguirá sendo um fator preocupante.

O preço do dólar aumentou muito do fim do ano passado para cá. Isso se deve à instabilidade política e às incertezas externas também. Nossas importações são afetadas e acabam resvalando nos serviços e no consumo”, explicou Salto.

Desigualdade

O diretor-presidente ainda complementou que são necessárias medidas a longo prazo que atuam no combate à desigualdade para lidar com o aumento de preços que vem junto à uma demanda maior.

Isso não se faz com medidas aqui e acolá, impensadas, é necessário observar estudos, como o do CDPP (Centro de Debates de Políticas Públicas) que propõe a unificação de programas menos efetivos, como o abono salarial, por exemplo”, comenta Felipe.

Mudanças no Bolsa Família

O atual presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), anuncia constantemente em entrevistas que vai aumentar o Bolsa Família em pelo menos 50%. Sendo assim, o pagamento do benefício passaria a ser de, no mínimo, R$300 por família.

Além disso, Bolsonaro pretende mudar o nome do programa para Auxílio Brasil e incluir mais beneficiários.

Confira também:

Eleições 2022

Contudo, é importante lembrar que o programa Bolsa Família foi criado na gestão do ex-presidente Lula e, desde 2003, reduziu a extrema pobreza em cerca de 25% no país.

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A interferência de Jair pretende causar o apagamento desse histórico, especialmente em um período próximo às eleições de 2022. Afinal, aumento de programas sociais em ano eleitoral não é ilegal?

Lançamento

De acordo com Paulo Guedes, ministro da Economia, o lançamento do “Auxílio Brasil” deve ser realizado ainda este ano após o término do pagamento do auxílio emergencial previsto para os próximos meses.

Apesar de o reajuste no valor das parcelas ser considerado positivo, ainda é insuficiente para superar as despesas básicas dos trabalhadores, principalmente com alimentação e moradia.

Abrangência

De acordo com Leandro Teodoro Ferreira, presidente da Rede Brasileira de Renda Básica e mestre em Políticas Públicas pela Universidade Federal do ABC, o problema central das alterações previstas para o Bolsa Família é a abrangência.

A realidade do país é de muito mais gente precisando. Cerca de 2,3 milhões de famílias já estão na fila do Bolsa Família, tal como ele é. Sem o auxílio emergencial, o número de beneficiários deveria ser ampliado em pelo menos 7 milhões para ter um impacto significativo”, avalia.

Beneficiários

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Em relação ao possível aumento no número de beneficiários previsto pelo atual governo, Leandro afirma que:

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Ninguém que está preocupado com a proteção social será contra um aumento no número de beneficiários e no valor do Bolsa Família. Porém, os números citados pelo presidente e por seus ministros refletem uma quantidade muito pequena de pessoas”.

Outro ponto interessante a ser observado nesse cenário é que a insegurança alimentar entre os anos de 2017 e 2018 teve aumento de 33,3% em relação a 2003 e de 62,2% em relação a 2013. 

Ou seja, a situação já era pior que no início do governo Lula, como mostra a Pesquisa de Orçamentos Familiares.

Participação popular

O representante da RBRB defende ainda que haja transparência e participação popular nas decisões relativas à aplicação do orçamento previsto para 2022. 

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Leandro aponta ainda que é preciso a implementação de uma renda básica que garanta serviços públicos e de qualidade para a população como é previsto na Constituição.

Democracia

Ferreira sugere que:

O governo precisa apontar como vai utilizar as ferramentas que já existem nas regras fiscais que eles mesmos são defensores, como o ‘Teto de gastos’. Serão ao menos R$40 bilhões a mais para gastar de forma livre, e precisa ser aberta uma discussão sobre como isso deve ser usado em políticas sociais”.

Leandro conclui que o Brasil precisa ser mais democrático em termos de decisões relativas às políticas sociais para que o país possa avançar.

Fontes: IG, Notícias Concursos e Brasil de Fato.

Felipe Calbo
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo atuante na chamada "massa de mídias", trazendo mais um braço da pluralidade de opinião em detrimento do mito da imparcialidade.
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