24 milhões de brasileiros trabalham por conta própria na informalidade: taxa cresceu em 2021

taxa de informalidade cresce
Número de trabalhadores por conta própria aumentou em 2021. Foto: Reprodução/Canva

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem (30/06) os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), revelando que o desemprego atingiu nível recorde no país e que a taxa de informalidade na categoria de trabalhadores por conta própria cresceu em 2021.

O índice de desemprego no Brasil está em 14,7%, o que representa um total de 14,8 milhões de pessoas procurando por trabalho. Este é o maior índice da série histórica do IBGE, que iniciou em 2012.

Publicidade

Publicidade

Em relação à informalidade, houve um aumento de 2,3% no número de brasileiros que precisam que trabalhar por conta própria na comparação com o mesmo período de 2020. Enquanto isso, levando em conta todas as categorias de trabalho informal, o índice caiu 3,7%.

taxa de informalidade cresce
Número de trabalhadores por conta própria aumentou em 2021. Foto: Reprodução/Canva

O estudo também mostrou que no trimestre móvel encerrado em abril, o nível de ocupação no Brasil ficou em 48,5%. Isso quer dizer que menos da metade das pessoas em idade de trabalhar está ocupada.

Segundo Adriana Beringuy, analista da Pnad Contínua, o mercado de trabalho continua sentido os efeitos da pandemia, mas as perdas na ocupação já estão em ritmo menor.

Publicidade

Publicidade

Ainda registramos perdas importantes da população ocupada, de 3,7%, mas já tivemos percentuais maiores, que chegaram a 12% no auge da pandemia. Estamos observando, portanto, uma redução no ritmo de perdas a cada trimestre. No computo geral, contudo, temos menos 3,3 milhões de pessoas trabalhando desde o início da pandemia”, explicou Beringuy à Agência Brasil.

A Pnad Contínua também mostra que o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado caiu 8,6% na comparação anual. Isso significa que 2,6 milhões de brasileiros perderam emprego formal no período.

Veja também: Quem recebe seguro desemprego e auxílio emergencial não precisará pagar parcelas de financiamento imobiliário

Número de trabalhadores informais no Brasil

De acordo com a Pnad Contínua, a taxa de informalidade no Brasil está agora em 39,8%, o que significa que 34,2 milhões de brasileiros trabalham sem carteira assinada, muitos deles sem acesso a direitos trabalhistas.

No segmento de trabalhadores por conta própria, uma das principais categorias da informalidade, houve um acréscimo de 537 mil pessoas no intervalo de um ano. Segundo Beringuy, esta é a modalidade profissional que mais vem crescendo nos últimos meses.

Essa forma de inserção no mercado tem um contingente mais elevado agora do que em abril de 2020. O montante já se aproxima do recorde dessa série, que foi no trimestre encerrado em janeiro do ano passado”, afirmou a analista.

Além das pessoas que trabalham por conta própria, o grupo de trabalhadores informais também inclui aqueles que atuam sem carteira no setor privado ou domésticos, empregadores sem CNPJ e quem trabalha sem remuneração.

Segundo a Pnad Contínua, o número de trabalhadoras domésticas caiu 10,4%, 572 mil pessoas a menos do que o mesmo trimestre de 2020.

Publicidade

Publicidade

Já o número de empregadores com CNPJ continua sendo o menor da série histórica, que começou em 2015. Atualmente, são 3,1 milhões de empresas com funcionários.

Aumento na criação de MEIs também está ligado à taxa de informalidade

Em 2020, o Brasil registrou um salto no número de Microempreendedores Individuais (MEIs). Segundo dados do Portal do Empreendedor, foram mais de 1,4 milhão de trabalhadores a mais atuando nesta categoria entre março e novembro do ano passado.

Mas muitas pessoas iniciam seus negócios quando esta ser a única saída após perder o emprego, o que é conhecido como “empreendedorismo por necessidade”. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2020, esta modalidade cresceu bastante durante a pandemia.

No caso dos empreendedores nascentes, quando o negócio tem até três meses de atividade, a pesquisa revelou que houve um salto de 20,3% para 53,4% entre 2019 e 2020 no número de empreendimentos por necessidade.

Publicidade

Para o analista de Gestão Estratégica do Sebrae e responsável pelo estudo, Marco Aurélio Bedê, a situação vista na pandemia não tem precedente. Segundo ele, muitas pessoas entraram no empreendedorismo após sair do mercado de trabalho sem ter a experiência ou formação necessárias.

Publicidade

Veja também: Mercado de trabalho ainda não se recuperou da crise econômica provocada pela pandemia

Subutilização e desalento

A Pnad Contínua também revelou que o número de pessoas subutilizadas aumentou em 2,7% e atingiu o maior contingente da série comparável. O índice já representa 29,7% da população, ou seja, 33,3 milhões de pessoas.

A taxa de subutilização inclui desempregados, pessoas que trabalham menos do que poderiam ou que não procuram emprego mesmo estando disponíveis no mercado de trabalho.

Publicidade

Publicidade

Além disso, o número de desalentados se manteve no mesmo nível do trimestre anterior, continuando no maior patamar da série. Segundo a pesquisa, são 6 milhões de pessoas que desistiram de procurar emprego por conta das condições do mercado de trabalho.

Fontes: Agência Brasil e UOL.

Felipe MatozoJornalista, ator profissional licenciado pelo SATED/PR e ex-repórter do Jornal O Repórter. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
Veja mais ›
Fechar