Pesquisa aponta que classes C e D no Paraná consumiram 8% menos em fevereiro

O levantamento feito na pesquisa observou queda de consumo em diversos segmentos, mas também constatou o aumento de outros de acordo com as regiões do país.

Pandemia

É de se esperar que os hábitos de consumo e de comportamento dos brasileiros tenham sido afetados desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Mesmo com as recomendações sanitárias da Organização Mundial da Saúde, após um ano da chegada do vírus no Brasil, a segunda onda da Covid-19 fez quatro mil vítimas diárias.

Além disso, o cenário pandêmico afetou drasticamente a economia do país e, consequentemente, a maior parte da população.

Consumo e comportamento

As mudanças podem ser observadas com mais nitidez nas classes sociais C e D, ou seja, entre as famílias que recebem de dois até 10 salários mínimos por mês.

De acordo com a pesquisa de Hábitos de Consumo das Classes C e D da Superdigital, uma das fintechs do Banco Santander, os brasileiros gastaram cerca de 28% a menos em fevereiro em comparação com janeiro do mesmo ano. 

O levantamento proposto na pesquisa teve como base as transações realizadas pelos clientes mensalmente a fim de traçar o perfil do consumidor.

Além dessa observação, a pesquisa também apontou uma queda de 50% nos gastos com prestadores de serviços. 

Também foram notadas quedas de consumo de 45% no setor de serviços e de 33% no setor de lojas de artigos diversos.

Houve aumento de consumo em apenas uma categoria, a de combustíveis, com alta de 7% no mês de fevereiro.

ilustração de hábitos de consumo
Hábitos de consumo e comportamento são diferentes entre as regiões

Entre os gastos mais observados no levantamento do Santander estão os supermercados, com 33%, seguido por restaurantes com 12%, lojas de artigos diversos com 11% e serviços com 9%.

Também foi possível analisar o aumento de compras pelo e-commerce em comparação com compras físicas em quase todos os itens no mês de fevereiro.

No entanto, a queda de consumo em fevereiro pode ser justificada pela quantidade de dias no mês e pela não realização do carnaval, evento que geralmente movimenta de forma significativa a economia com o consumo de produtos e serviços em larga escala.

Outro fator que contribuiu para a redução de consumo em fevereiro foi o pagamento da segunda parcela do 13° salário e do auxílio emergencial em dezembro de 2020, resultando em maiores gastos em janeiro.

Análise por regiões

De acordo com os recortes regionais da pesquisa, o Rio Grande do Sul recuou 10% em fevereiro em relação a janeiro deste ano. 

A queda foi mais nítida nos setores automotivos, prestadores de serviços e transporte. Porém, houve aumento nos gastos com companhias aéreas, hotéis e motéis e lojas de roupas.

No Paraná o consumo baixou na mesma comparação, mas os setores mais afetados foram companhias aéreas, automóveis e veículos, e lojas de roupas. O crescimento ficou para hotéis e motéis, combustível e diversão e entretenimento.

No Espírito Santo as quedas foram para hotéis e motéis, transporte e telecomunicação. O avanço se deu para companhias aéreas, prestadores de serviço e combustível.

O Rio de Janeiro recuou no setor automotivo, prestadores de serviços e rede online. O aumento foi apenas para diversão e entretenimento.

Já em São Paulo teve queda o setor de prestadores de serviços, lojas de artigos diversos, diversão e entretenimento e companhias aéreas. O aumento ficou por conta dos combustíveis.

Em Minas Gerais os setores em queda foram prestadores de serviços, serviços e telecomunicações. Houve aumento com diversão e entretenimento em companhias aéreas.

Em Pernambuco as reduções foram nas categorias automotiva, lojas de artigos diversos e telecomunicação. O crescimento foi em hotéis e motéis, companhias aéreas e combustível.

No Ceará a queda foi em prestadores de serviços, serviços e rede online e o aumento ficou para companhias aéreas, diversão e entretenimento e automóveis e veículos.

Na Bahia o consumo caiu para rede online, serviços e prestadores de serviços, mas aumentou com diversão e entretenimento, hotéis e motéis, automóveis e veículos e drogaria e farmácia.

Mundo pós-pandemia

De modo geral, as consequências socioeconômicas geradas pela pandemia do novo coronavírus afetou diversos países. 

Conforme a análise feita pela consultoria McKinse existem algumas possibilidades para um mundo pós-pandemia.

Os hábitos de consumo na China, França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, indicados por segmento, idade e renda, observaram a permanência de três principais comportamentos: compras online de alimentos, telemedicina e cuidados com a casa.

Esses são os principais hábitos de consumo que podem se desenvolver em um cenário pós-pandêmico e ajudar a alavancar a economia de países afetados drasticamente como o Brasil.

Felipe Calbo
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo atuante na chamada "massa de mídias", trazendo mais um braço da pluralidade de opinião em detrimento do mito da imparcialidade.
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