Correios tem 2.500 imóveis que ficarão para o novo dono após privatização

Foi habilitado essa semana pela Câmara dos Deputados que Jair Bolsonaro possa vender os Correios em um leilão do qual está previsto para o primeiro trimestre do ano que vem.

Aquele que comprá-la, não levará somente a empresa, mas também a operação de distribuição de entrega de correspondências e mercadorias, além dos 2,5 mil imóveis do órgão, dos quais estão espalhados por todo o país, principalmente em áreas estratégicas do mercado imobiliário.

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Essa carteira imobiliária possui imóveis de vários tipos, desde prédios empresariais, galpões de logística, agências simples e demais possibilidades.

Correios tem 2.500 imóveis que ficarão para o novo dono após privatização
Correios tem 2.500 imóveis que ficarão para o novo dono após privatização. Foto: Reprodução/Capitalist.

A empresa é conhecida por ser uma das mais antigas de todo o país, da qual surgiu no ano de 1663, quanto foi criado o Correiomor.

Alguns dos estabelecimentos que estão na lista de maior destaque são o edifício da sede da estatal, em Brasília, do qual sozinho, possui um valor estimado em mais de R$360 milhões, conforme o contrato de seguro que estava valendo até junho do ano passado.

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Outro imóvel que ganha atenção é o prédio localizado em Pituba, bairro considerado como nobre de Salvador, onde a avaliação foi em mais de R$75 milhões para o segurado no ano de 2016, porém, que foi posto a venda por mais de R$248 milhões no ano de 2019.

Ademais, muitos dos imóveis únicos dos Correios são conhecidos por serem prédios históricos, dos quais são ícones de vários municípios brasileiros, como é o caso de:

  • Rua Visconde de Itaboraí, no Rio de Janeiro,
  • Vale do Anhangabaú, em São Paulo,
  • Praça da Alfândega, em Porto Alegre.

Todos eles são centros culturais.

Falta de estimativa monetária

Por mais grande que essa acúmulo de patrimônio, o fato que ganha mais destaque é de que não se sabe bem ao certo o valor apenas dos imóveis, o que pode ser muito interessante para quem comprar a estatal.

Ou seja, o governo, com a autorização de venda da empresa, estará negociando algo com custos inimagináveis.

No ano de 2019, os Correios em teoria, deveriam ter feito a avaliação de todo seu patrimônio imobiliário, para assim, atualizar esse no balanço patrimonial, do qual é divulgado de forma periódica.

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A estatal em questão, em nota no ano de 2014, confirmou a adoção do hábito de verificar os valores reais dos imóveis a cada 5 anos. Porém, esse levantamento até o momento não foi refeito.

Índices de acordo com checagem

No ano de 2013, antes dos Correios realizarem a avaliação de suas posses, esse relatório da empresa demonstrava um patrimônio de R$1,556 bilhões apenas em imóveis.

Depois dessa avaliação, o valor aumentou para R$5,692 bilhões no ano de 2014, o que traduz um crescimento de 265%, principalmente pelo trabalho de “pente fino” de verificação dos imóveis da empresa em questão.

Sem essa nova avaliação que nunca foi executada, esse balanço patrimonial vem demonstrando demais quedas nos valores da carteira imobiliária, da qual possui uma decadência pela depreciação dos imóveis.

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Sendo assim, no ano de 2019, os Correios estimaram que os imóveis que possuíam, tinham o valor estimado em R$5,237 milhões.

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Porém, no ano de 2020, essa estimativa teria caído para R$3,850 bilhões, sendo um valor 26% menor do que aquele demonstrado em 2019, além de 32% menor do que 2015.

Outra informação que deixa “a pulga atrás da orelha”, seriam os resultados apresentados no mês de maio de 2021, alguns meses após o governo fazer o anúncio do projeto de privatização da estatal em questão.

Valores imobiliários dos Correios

  • 2013: R$1.556.410;
  • 2014: R$5.692.951;
  • 2015: R$5.680.945;
  • 2016: R$5.671.243;
  • 2017: R$5.541.580;
  • 2018: R$5.561.142;
  • 2019: R$5.237.853;
  • 2020: R$3.850.529.

Análise dos dados

Conforme dados analisados pelo The Intercept, é quase impossível que todos os 1,5 mil imóveis tenham passado pela mesma depreciação.

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Geralmente os prédios mais antigos, principalmente históricos, costumam subir de preço apenas pela valorização dos imóveis vizinhos ou da região em que estão.

A depreciação de imóveis não costuma existir, muito menos desvalorização a longo prazo. Segundo dados do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Distrito Federal, existem imóveis que valorizaram cerca de 100% de 2014 até hoje.

É comum que as empresas, quando querem saber qual o valor da carteira imobiliária, façam essas avaliações a cada 90 dias, o que só comprova ainda mais que os valores registrados acima, podem estar defasados.

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Fonte: ADCAP.

Marcela MazettoJornalista formada pela PUCPR viciada em música de todos os tipos, livros e séries. Mestre em curiosidades inúteis, está sempre procurando fugir da rotina.
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