Empreendedores negros são os que mais precisam e menos aprovam empréstimos nos bancos

A pandemia prejudicou muitos negócios brasileiros e isso ficou visível através da 11ª edição da Pesquisa de Impacto da Pandemia do Coronavírus nas Micro e Pequenas Empresas, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a Função Getúlio Vargas (FGV).

A informação é de que os empreendedores negros são os que mais tiveram crédito negado durante a pandemia de covid-19.

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Essa realidade ocorre, apesar do número de empresários negros que pediram empréstimos ter sido superior ao de empreendedores brancos.

Negros se endividaram mais e tem difícil acesso ao empréstimo. Foto: Istock
Negros se endividaram mais e tem difícil acesso ao empréstimo. Foto: Istock

Endividamento de negros é maior

De acordo com relatório, divulgado na última sexta-feira (23), cerca de 44% dos empreendedores negros conseguiram acesso ao pedido de empréstimo, ante 57% dos brancos.

Mas, isso não tem relação com o racismo, já que o presidente do Sebrae, Carlos Melles, revela que os empreendedores negros estão mais endividados se comparados com os brancos e as perdas de faturamento foram piores entre eles.

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Enquanto 43% dos negros que são donos de pequenos negócios estão com dívidas e empréstimos atrasados, entre os brancos esse percentual cai para 32%. Essa pode ser uma das justificativas para uma maior recusa de crédito para esse público”, disse em nota o presidente do Sebrae.

A pesquisa afirma que um dos motivos para esse endividamento é a diminuição do faturamento, 81% dos negros registraram uma redução no lucro, enquanto 77% dos brancos viram essa queda.

Faturamento em queda

De acordo com a pesquisa, as perdas de faturamento são piores entre os empreendedores negros, já que 81% deles alegam ter tido perda de faturamento.

Entre os empreendedores brancos, essa proporção cai para 77%, apesar de ambos terem tido redução em vendas próximo a 50%.

Diante disso, o presidente do Sebrae observa que os empreendedores negros têm uma menor escolaridade, estão empreendendo a menos tempo, atuam em atividades que não exigem muita qualificação e preparo.

Melles revela que 70% deles são Microempreendedores individuais, o que afeta mais o desempenho desses pequenos negócios.

Além disso, outro fator que preocupa mais a sobrevivência desse perfil de empreendedores é que 77% dos negros dependem da empresa para sobreviver e o rendimento do último ano, devido à pandemia, não foi suficiente para manter os gastos da família, para 69% dos entrevistados.

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Entre os empreendedores brancos, os números são um pouco melhores: 65% estão conseguindo se manter apenas os recursos recebidos da empresa que possuem.

Essa informação explica o fato de que 58% dos empreendedores negros estão aflitos com o futuro da empresa, contra 55% dos brancos.

Políticas públicas para incentivar empreendedores negros e mulheres

O presidente do Sebrae conta que é preciso pensar em políticas públicas que atendam as particularidades de alguns segmentos de empreendedores, como negros e mulheres, em especial na melhoria do acesso a empréstimos.

Entretanto, Melles comemora o avanço registrado por empresários negros no uso das redes sociais.

No levantamento feito em maio, 57% desses empreendedores usavam as mídias sociais para fazer negócio. Já na última pesquisa feita essa proporção cresceu para 66%. Essa evolução aproximou empreendedores negros e brancos, onde 69% usam essas ferramentas online”, analisa.

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A comparação feita entre as pesquisas do Sebrae também mostrou redução no percentual de empresas com dívidas em atraso para ambos os perfis.

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Entre os meses de maio e agosto do ano passado, a proporção de negros com dívidas em atraso caiu de 46% para 37%. Já no caso dos brancos a queda foi de 38% para 30%.

Jornalista com mais de 7 anos de experiência. Atuou como redatora em jornais impressos, sites especializados em moda e agências de comunicação em Mogi das Cruzes, São Paulo e Goiânia. Fez parte da equipe voluntários da ONG Trupe do Riso, cuidando das redes sociais da instituição. Além de colaboradora da WebGo Content, atua na Agência Conect, especializada em comunicação e marketing para profissionais da Saúde.
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