Energia Elétrica mais Cara? Entenda por que estamos pagando até 74% nas tarifas nesses últimos 10 anos

O bolso dos brasileiros pesa devido à conta de energia elétrica mais cara – e isso não é de hoje. Segundo a Abrace, entre 2011 e 2020, as tarifas de energia subiram 74,3%, e passaram de R$ 331 para R$ 577 por megawatt-hora (MWh).

A explicação está na falta de chuva, que está abaixo da média em todos os anos da última década, de acordo com dados do INPE. As regiões mais afetadas pela estiagem são a Sudeste e Centro-Oeste, onde estão localizadas as hidrelétricas responsáveis por mais da metade da energia elétrica gerada no país.

Metade da população do Brasil está localizada nas duas regiões citadas acima. Mas praticamente todos os estados do país estão sofrendo com a diminuição das chuvas e, consequentemente, a conta de energia elétrica mais cara. 

Além disso, especialistas apontam que as chuvas devem continuar abaixo da média nos próximos anos, agravando ainda mais a situação. Pesquisadores apontam o aquecimento global e a frequência de eventos como o fenômeno La Niña, que dificulta o avanço das frentes frias, como algumas das causas da queda no volume das chuvas.

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Bandeiras tarifárias

As bandeiras tarifárias foram implantadas em 1º de maio de 2015 em praticamente todo o Brasil, com exceção do estado de Roraima, que não está inserido no Sistema Interligado Nacional (SIN). O sistema de bandeiras tarifárias apresenta diversas modalidades, que se relacionam diretamente com a geração de energia.

  • Bandeira Verde: Indica que as condições para se gerar energia estão favoráveis, e dessa forma, a tarifa não sofrerá nenhum acréscimo. Ou seja, as hidrelétricas estão operando normalmente;
  • Bandeira Amarela: Indica que as condições para se gerar energia não estão muito favoráveis, tendo por consequência um acréscimo de R$ 0,015 para cada quilowatt-hora (kWh) consumido. Neste caso, é necessário que as usinas térmicas estejam ativadas;
  • Bandeira Vermelha (Patamar 1): Indica que as condições para se gerar energia não estão favoráveis; sendo assim, há um acréscimo de R$ 0,040 para cada quilowatt-hora (kWh) consumido. Neste caso, há uma alta demanda para as usinas térmicas ativadas;
  • Bandeira Vermelha (Patamar 2): Indica que as condições para se gerar energia não estão favoráveis; então, há um acréscimo de R$ 0,060 para cada quilowatt-hora (kWh) consumido. Neste caso, há uma alta demanda para as usinas térmicas ativadas, mas com diferença em relação ao patamar 1, devido ao maior custo por megawatt-hora (MWh) na geração térmica. 

Fontes de energia renováveis 

A projeção, de acordo com especialistas, é que a diminuição na média das chuvas faça com que a geração de energia por meio de hidrelétricas também caia. Mas para tentar driblar o problema, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que será necessário uma mudança de estratégias.

Entre as modificações esperadas para os próximos anos está a geração de energia elétrica por meio de parques eólicos e solares, e de termelétricas, principalmente as movidas por gás natural. Ainda conforme a ONS, o governo já possui diversos programas e a política nacional de gás, o que leva a crer que o gás natural irá facilitar a integração das energias renováveis, tendo como grande aposta as termelétricas de gás natural do pré-sal.

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Jornalista formada pela Universidade Luterana do Brasil de Canoas/RS.

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