Quantos brasileiros não conseguiram receber auxílio emergencial pela falta de acesso à internet?

Se você pode e consegue acessar à internet, saiba que é privilegiado. Isso porque, segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a exclusão digital atingiu boa parte das pessoas das classes D e E, e impediu de ter acesso ao auxílio emergencial.

A exclusão digital não é novidade no Brasil, já que a falta de acesso à internet ou a um  smatphone deixa a população mais pobre a um patamar mais baixo e mais distante de ser beneficiada pelos programas do governo.

Publicidade

Publicidade

Parte da população brasileira não teve acesso ao auxílio emergencial devido exclusão digital
Parte da população brasileira não teve acesso ao auxílio emergencial devido exclusão digital

De acordo com o estudo, 20% dos entrevistados, que compõem a faixa mais pobre da população não tinham celular para solicitar o benefício do governo federal, enquanto 22% alegaram falta de acesso à internet.

Vale saber que o levantamento usou como base o painel TIC Covid-19 do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

O coordenador do Centro de Estudos da FGV, Lauro Gonzales, contou ao repórter da TVT, Kaique Santos, que a maior dificuldade da população foi em baixar o aplicativo da Caixa Econômica Federal.

Publicidade

Publicidade

A tecnologia pode estar acessível, mas precisa ser utilizada para se transforme no bem-estar e consiga concretamente representar alguma coisa, como nesse caso, ajudar na obtenção do auxílio. As pessoas ainda têm dificuldade de baixar aplicativos em geral, mas boa parte apontou dificuldade especificamente em baixar o aplicativo da Caixa”, revelou.

Excluídos digitais na pandemia

Saiba que os excluídos digitais, que mais precisam do auxílio emergencial, não conseguiram receber as parcelas de R$ 600,00 ou R$ 1.200,00.

Com isso, notou-se que a falta de acesso a um celular é o motivo que afetou 20% dos usuários das classes D e E, se comparados com o total de pessoas que não conseguiram receber o auxílio, que somam 7%.

Já a integrante da Coalizão Direitos na Rede, do coletivo Intervozes, Flávia Lefréve, apontou que o isolamento social foi determinante para afastar mais as pessoas do acesso à internet.

Ela revelou que muitas pessoas das classes C, D e E usavam a internet em seus locais de trabalho e das praças públicas, por exemplo, mas que esse acesso ficou restrito devido à pandemia de Covid-19.

Projeto para mudar a exclusão digital é vetado no Congresso

O Congresso rejeitou, na última terça-feira (1), o veto do presidente Jair Bolsonaro, no projeto de lei 3477/2020, que prevê o oferecimento de internet gratuita para os alunos e professores da rede pública.

Na votação realizada no Senado, foram 69 votos favoráveis à derrubada do veto. Já na Câmara dos Deputados, foram 419 a favor e 14 contra.

Publicidade

Publicidade

A proposta prevê o repasse de R$ 3,5 bilhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações aos estados e municípios para levar internet para alunos e professores atuantes da rede pública.

No entanto, em março, o presidente vetou com a alegação de que a proposta não apresentava “a estimativa do respectivo impacto orçamentário e financeiro”.

A previsão do governo federal é que o acesso ao programa Bolsa Família seja digitalizado, mas Gonzales afirma que o novo projeto de Bolsonaro vai aumentar a exclusão digital entre a população pobre, já que o uso da tecnologia não está disponível para toda a população.

O uso da tecnologia sobretudo tem nuances e obstáculos importantes, quando a gente considera a realidade da baixa renda. Existe uma discussão, hoje, no governo, de digitalização de programas de transferência de renda inclusive do Bolsa Família. E esses mesmos obstáculos do auxílio emergencial vão se aplicar também à realidade do Bolsa Família, pois estamos falando do mesmo público”, alertou.

Os especialistas que defendem a proposta dizem que é preciso combater as restrições básicas que as pessoas mais pobres enfrentam para que eles não sejam mais prejudicados.

Publicidade

A integrante da Coalizão Direitos na Rede afirmou que os ministérios precisam se reunir para enfrentarem juntos as dificuldades do povo.

Publicidade

É importante que o pessoal dos Ministérios do Planejamento, da Economia e das Comunicações se reúnam e em enfrentem as dificuldades que boa parte brasileiros sofrem. Estamos diante de uma fossa digital enorme que torna ainda mais vulnerável a situação dessas pessoas”, explicou Flávia.

Jornalista com mais de 7 anos de experiência. Atuou como redatora em jornais impressos, sites especializados em moda e agências de comunicação em Mogi das Cruzes, São Paulo e Goiânia. Fez parte da equipe voluntários da ONG Trupe do Riso, cuidando das redes sociais da instituição. Além de colaboradora da WebGo Content, atua na Agência Conect, especializada em comunicação e marketing para profissionais da Saúde.
FacebookInstagramLinkedinWikipédia

Participe dos nossos grupos

WhatsappWhatsApp

Entre no Grupo e receba as notícias do dia

TelegramTelegram

Entre no Canal e receba as notícias do dia

FacebookFacebook

Curta nossa Página e receba as notícias do dia

Deixe seu comentário