Fim do Auxílio Emergencial: Entenda o impacto entre os mais pobres

O fim do Auxílio Emergencial causou um grande impacto à população mais pobre. Isso porque o benefício pago pelo governo desde abril devido à pandemia de Covid-19 era a única fonte de renda de milhares de famílias em situação de vulnerabilidade social.

Além disso, existem outros fatores que complicam ainda mais este cenário, como a inflação alta, principalmente nos alimentos da cesta básica, e o desemprego, que atingiu seu maior nível durante a pandemia.

De acordo com o Instituto Tendências Consultoria Integrada, se o auxílio emergencial não for retomado, as classes D e E devem perder quase um quarto da renda disponível (23,8%) em termos reais em relação a 2020. 

Ainda conforme o estudo, serão R $48 bilhões a menos circulando entre os mais pobres. No ano passado, no entanto, esse foi o estrato social que teve o maior ganho de renda disponível, com avanço de 16,1% ante 2019, por conta dos auxílios do governo.

Com o fim do auxílio emergencial, essa será a maior queda na renda das classes D e E desde 2008. O estudo levou em conta a expectativa de inflação ao consumidor (IPCA) para este ano de 3,4%, crescimento da economia (PIB) de 2,9% e taxa de desemprego atingindo 15,1%.

A previsão é de um recuo da renda disponível de 3,7% da população brasileira como um todo em 2021, depois do crescimento de 1,1% em 2020. Caso o governo não conceda mais o auxílio emergencial, a renda destinada às compras de itens básicos das classes D e E cai em 80%.

As principais regiões afetadas pelo fim do auxílio emergencial são Norte e Nordeste, onde há maior concentração de pessoas da classe D e E. Porém, o fim do auxílio emergencial não afeta apenas a alimentação das pessoas, mas também o varejo destes locais, que já estão sentindo o impacto da diminuição de vendas.

fim do auxílio emergencial

O Auxílio Emergencial pode voltar?

O atual cenário é de muitas incertezas devido ao agravamento da segunda onda da pandemia de Covid-19, ao atraso nas vacinas e ao colapso no sistema de saúde do Amazonas. Além disso, há também o crescimento no desemprego devido aos postos de trabalho permanecerem fechados durante a pandemia.

Mas o retorno do Auxílio Emergencial ainda é dúvida para milhares de famílias brasileiras. Diversas propostas de retorno do benefício estão sendo criadas, porém o presidente Jair Bolsonaro é contra a volta do auxílio.

Na última quinta-feira, durante uma transmissão ao vivo no Facebook, Bolsonaro disse que, se a medida continuar, o Brasil iria quebrar. “Lamento, o pessoal quer que continue (o auxílio), vai quebrar o Brasil. Vem inflação, descontrole da economia, vem um desastre e todo mundo vai pagar caríssimo. Temos que trabalhar”, disse.

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Jornalista formada pela Universidade Luterana do Brasil de Canoas/RS.

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