IGP-M sobe 0,6% em junho e acumula alta de 35,7%: saiba como isso interfere no aluguel

A inflação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) foi de 0,6% em junho, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado representa uma desaceleração no índice, que acumula altas expressivas nos últimos meses e pesa no bolso de milhões de brasileiros.

Em maio, por exemplo, o IGP-M havia avançado 4,10%, mas recuou neste mês por fatores como a queda do dólar em relação ao real, que voltou a ficar abaixo de R$ 5 depois de um ano, e recuo dos preços de matérias-primas como minério de ferro, milho e soja, o que aliviou a inflação no atacado.

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Mas mesmo com a desaceleração em junho, a alta acumulada é expressiva. No ano, a inflação do IGP-M é de 15,08%, e nos últimos 12 meses ela chega a 35,75%. Para efeito de comparação, em junho do ano passado a alta acumulada em 12 meses era de 7,31%.

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IGP-M desacelera em junho, mas tem alta significativa nos últimos meses. Foto: Reprodução/Canva

O resultado divulgado pela FGV foi pouco menor do que o estimado por uma pesquisa da Reuters, que indicava uma expectativa de alta de 1,01% em junho.

A combinação de valorização do real com o recuo dos preços em dólar de commodities importantes, fez o grupo matérias-primas brutas do IPA [ Índice de Preços ao Produtor Amplo] cair 1,28% em junho, ante alta de 10,15% no mês passado. Com este movimento, a taxa do IPA registrou expressiva desaceleração fechando o mês com alta de 0,42%”, explicou André Braz, Coordenador dos Índices de Preços, no relatório da FGV.

A deflação dos produtos de origem agropecuária também contribuiu para a desaceleração do IGP-M. Entretanto, nos últimos 12 meses este segmento acumula alta ainda maior que o índice: 53,29%.

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Falando em altas, os maiores vilões para os brasileiros em junho foram o etanol (9,92%), a tarifa de energia elétrica (R$ 3,30%) e a gasolina (R$ 2,72%).

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O que é o IGP-M?

Medido pela Fundação Getúlio Vargas, o IGP-M é uma das variações do Índice Geral de Preços (IGP), e registra a variação de preços como matérias-primas industriais e agrícolas, insumos da construção civil e até mesmo bens e serviços finais.

O índice também é conhecido como “inflação do aluguel”, porque é um dos principais parâmetros para reajustes de contratos de locação. Além disso, o índice também é usado para correções de tarifas públicas e, em alguns casos, de planos e seguros de saúde.

O cálculo do IGP-M é composto pelos seguintes índices:

  • Índice de Preços ao Produto Amplo (IPA) – possui peso de 60% na composição do IGP-M;
  • Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – peso de 30%;
  • Índice de Nacional de Custo da Construção (INCC) – peso de 10%.

Desde o ano passado, o IGP-M vem subindo bem acima da inflação oficial do Brasil, que é medida pelo IPCA. Em maio, por exemplo, a alta acumulada em 12 meses do IGP-M era de 37,04%, enquanto a da inflação foi de 8,06%.

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Como o IGP-M interfere no valor do aluguel?

Usar o IGP-M como indicador para reajuste de aluguel não é algo obrigatório, mas se estiver no contrato deve ser a referência.

A recomendação do Secovi-SP, sindicato da habitação, é que proprietários e inquilinos negociem o reajuste. Conforme explica Adriano Sartori, presidente da entidade, se o inquilino cumpre em dia com suas obrigações contratuais, é mais vantajoso para o proprietário negociar do que arcar com os custos de um imóvel vazio e ainda ter que buscar um novo locatário.

Em 2020, por exemplo, o IGP-M fechou com alta de 23,14%, a maior desde 2002. Apesar disso, muitos inquilinos conseguiram descontos no aluguel por conta da pandemia, que gerou queda de renda e desemprego para milhões de brasileiros.

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Sendo assim, mesmo com a alta acumulada no valor do índice, o recomendado é as partes busquem um acordo que beneficie os dois lados.

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Para o lado dos inquilinos, são exemplos de fatores que podem ajudar na negociação: ser um bom pagador, ter interesse em permanecer no imóvel por um longo tempo, respeitar as regras do condomínio e conservar bem o imóvel.

Fonte: G1.

Felipe Matozo
Jornalista formado pelo Centro Universitário Internacional Uninter, repórter do Jornal O Repórter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
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