Mercado de trabalho ainda não se recuperou da crise econômica provocada pela pandemia

Pandemia atrasa recuperação econômica. Foto: Pedro Ventura/ AG Brasília
Pandemia atrasa recuperação econômica. Foto: Pedro Ventura/ AG Brasília

A melhora das atividades econômicas e o crescimento da população ocupada não foram suficientes para reduzir os impactos provocados pela pandemia de covid-19 no mercado de trabalho, com isso, o desemprego, subocupação e desalento seguem em alta.

Esta análise faz parte do desempenho recente do mercado de trabalho e perspectivas para 2021, apresentado na última segunda-feira (28), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Publicidade

Publicidade

Pandemia atrasa recuperação econômica. Foto: Pedro Ventura/ AG Brasília
Pandemia atrasa recuperação econômica. Foto: Pedro Ventura/ AG Brasília

Com base nos dados apresentados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), no mês de março, o estudo mostrou que a taxa de desocupação ficou em 15,1%. Isso representa 2,3 pontos percentuais acima do resultado, se comparado com o mesmo período do ano anterior.

Vale saber que o crescimento de pessoas desempregadas também indica que o mercado de trabalho ainda não se recuperou, isso porque, nos últimos 12 meses, o número de pessoas com idade de trabalhar que estavam fora do mercado, avançou de 4,8 milhões para quase 6 milhões, uma alta de 25%.

Desemprego em alta

A pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea e autora do estudo, Maria Andréia Limeiras, disse, em entrevista para a Agência Brasil, os níveis de desempregos ainda estão ruins, pois a cada dia, mais pessoas voltam para o mercado de trabalho, para procurar emprego, o que não acontecia no período inicial da pandemia.

Publicidade

Publicidade

Muita gente deixou de procurar emprego por medo de contágio, porque sabia que a situação econômica estava muito ruim e a probabilidade de conseguir um emprego era muito pequena e porque existiu o auxílio emergencial que, bem ou mal, deu segurança ao trabalhador de ficar em casa se protegendo e ter algum meio de subsistência”, contou.

Ela destaca que a movimentação da economia, que apresentou sinais de melhora no primeiro trimestre deste ano, o avanço da vacinação e o valor menor do auxílio emergencial, estão fazendo as pessoas procurarem mais o mercado de trabalho, o que vai continuar impactando o nível de desemprego.

Empregos informais

O estudo indica que a recuperação no mercado de trabalho vem acontecendo de maneira mais intensa entre os empregados sem carteira assinada e os trabalhadores por conta própria, que integram os segmentos informais do mercado de trabalho.

Os trabalhadores sem carteira e por conta própria registraram recuos menos expressivos no primeiro trimestre de 2021, com retrações de 12,1% e 1,3%, respectivamente, se comparado com o trimestre móvel encerrado em agosto de 2020, quando os recuos foram de 25,8% e de 11,6%.

A pesquisadora destaca que a melhora da recuperação da ocupação pelos informais já era esperada. Isso porque, o primeiro segmento mais afetado pela pandemia foi o de serviços e de comércio. Além disso, a crise sanitária causou menos estrago no setor formal.

Ela explica que o emprego com carteira foi um pouco mais preservado nesta fase, porque é o trabalho com melhor qualificação, já que o trabalhador consegue atuar em home office.

No entanto, Maria destacou que embora a pandemia apresentasse sinais de recuperação, no período de pré-pandemia, a situação do mercado era diferente.

Mais atingidos

Publicidade

Publicidade

Em relação ao primeiro trimestre, a análise mostrou que a taxa de desocupação foi maior para as mulheres (17,9%) do que para os homens (12,2), se comparado com o mesmo período de 2020.

Além disso, as pessoas mais jovens foram as mais prejudicadas com taxa de desocupação de 31%, enquanto o desemprego dos mais idosos é menor (5,7).

Entretanto, a pesquisadora acredita que se o cenário atual for mantido, o mercado de trabalho poderá voltar ao nível pré-pandemia no primeiro trimestre de 2022.

No primeiro trimestre de 2022, acho que a gente volta para o nível pré-pandemia. Mantido o cenário atual. A gente está imaginando que não vai ter nenhuma grande variante [de covid-19], nenhum distúrbio político no país. A gente está imaginando com as informações que tem hoje de uma economia que está ganhando força. Tudo leva a crer que a gente vai ter a ocupação aumentando no segundo semestre e no primeiro trimestre do ano que vem, de maneira que a gente deve pensar o primeiro trimestre de 2022 próximo do patamar que a gente tinha”, finaliza.

Bruna SantosJornalista com mais de 7 anos de experiência. Atuou como redatora em jornais impressos, sites especializados em moda e agências de comunicação em Mogi das Cruzes, São Paulo e Goiânia. Fez parte da equipe voluntários da ONG Trupe do Riso, cuidando das redes sociais da instituição. Além de colaboradora da WebGo Content, atua na Agência Conect, especializada em comunicação e marketing para profissionais da Saúde.
Veja mais ›
Fechar