47 milhões de brasileiros não tem acesso à internet: impactos na educação

Um relatório feito pelo Instituto de Defesa do Consumidor sobre Acesso à Internet Residencial dos Estudantes apontou que a “ineficiência histórica” das políticas de telecomunicações gerou uma “elite estudantil” no Brasil em meio a pandemia do novo coronavírus.

Apesar de o Brasil ter mostrado um leve avanço nas políticas de acesso à internet voltadas para as escolas, elas não estão sendo úteis no momento, pois as mesmas foram fechadas como medida de enfrentamento à Covid-19.

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Sendo assim, o acesso à conexão estável, sem restrições e equipamentos adequados para a realização de aulas à distância estão restritos.

Políticas públicas 

O relatório ainda reforça que o Brasil não está na atual condição por falta de políticas que garantam conectividades, mas justamente pela falta de efetividade das próprias políticas.

Um exemplo dessas políticas é o Programa de Tecnologia Educacional que levou laboratórios de informática para as escolas e o Programa de Inovação Educação Conectada que oferece conexão da internet, aquisição de equipamentos e formação de professores.

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Desconectados

Os dados levantados pelo relatório apontam ainda que apesar do avanço no número de usuários de internet, cerca de 47 milhões de brasileiros não estão conectados e 45 milhões, ou seja, 95% pertencem às classes sociais C e D/E de acordo com os registros da TIC Domicílios 2019.

Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostrou que aproximadamente 6 milhões de alunos não possuem nenhum tipo de acesso a internet fixa ou móvel em casa. 

O Ipea também observou que na classe A apenas 11% dos estudantes utilizam a internet exclusivamente no celular. Já nas classes D e E, o percentual é de 85%.

Políticas públicas de acesso à internet não são eficientes

Os dados permitem analisar que os celulares acabam limitando as possibilidades pedagógicas de produção de conteúdo, pesquisas acadêmicas e uso autônomo para aprendizado do professor e do aluno, apesar de ser útil em casos extremos.

Um dado interessante também é apresentado por uma pesquisa Datafolha de 2020 onde mostra que o número de residências com celulares é de 89% dos estudantes, mas 38% dividem o aparelho com outros membros da famílias.

Alternativas

De acordo com este cenário, as secretarias municipais e estaduais estão promovendo soluções emergenciais para garantir acesso à internet aos estudantes.

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Um exemplo disso são os aplicativos que disponibilizam materiais e vídeo aulas para download, além de plataformas que centralizam conteúdos pedagógicos e orientações sem utilizar o pacote de dados dos celulares dos alunos.

As entidades também estão em busca de empréstimo, subsídio ou doação de equipamentos para que os alunos e professores possam ter acesso às aulas, bem como materiais impressos.

Andressa Pellanda, integrante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação afirmou que:

Desde o começo da pandemia a gente alertou que não eram aconselháveis políticas públicas emergenciais que não considerassem a realidade de infraestrutura dos domicílios, acesso a insumos por parte dos estudantes e de suas famílias e foi o que aconteceu. Foram construídas políticas públicas emergenciais de base excludente”.

Além dessas alternativas, o Idec também apontou para a importância da derrubada do veto ao projeto que oferece R$3,5 bilhões para que alunos e professores possam ter conexões em suas residências. 

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Também se vê necessidade a aprovação do Fundo de Universalização de Serviços de Telecomunicações a fim de destravar recursos capazes de expandir a conectividade nas escolas.

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A partir dos dados é possível compreender a urgência da equidade de acesso a internet mesmo depois da pandemia, pois o processo de aprendizado por meio da conexão também faz parte do processo de conhecimento. 

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo atuante na chamada "massa de mídias", trazendo mais um braço da pluralidade de opinião em detrimento do mito da imparcialidade.
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