Mulheres empreendedoras estão abandonando os negócios devido à pandemia

A pandemia do Covid-19 interrompeu a crescente participação feminina no empreendedorismo brasileiro.

Segundo o relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mulheres empreendedoras já estabelecidas em seus negócios se viram obrigadas a abandonar a liderança de suas empresas em 2020.

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A taxa de empreendedorismo feminino caiu para 31,6% no Brasil, reduzindo o percentual em 18,33%. 

Conforme os dados do Sebrae, em 2020 havia cerca de 25,6 milhões de donos de negócios no Brasil, dos quais 8,6 milhões (33,6%) eram mulheres. Essa presença feminina correspondia a 34,5% um ano antes, em 2019. Ou seja, a mudança de ano representou uma diminuição em 1,3 milhões de mulheres à frente de seus próprios negócios. 

Desigualdade de gênero no empreendedorismo brasileiro
Desigualdade de gênero no empreendedorismo brasileiro | Imagem: Sebrae

A desigualdade de gênero no empreendedorismo

De acordo com uma análise do presidente do Sebrae, Carlos Melles, a motivação da saída das mulheres do mundo dos negócios foram as dificuldades econômicas que as fizeram dar preferência para os cuidados familiares:

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A pandemia afetou enormemente o Brasil e impactou muito o grupo mais vulnerável dos empreendedores, como, por exemplo, as empreendedoras. Isso fez com que houvesse uma reversão das conquistas adquiridas ao longo dos últimos anos, comenta Melles.

Complementarmente, estudos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) demonstram que em 2019 as mulheres dedicavam-se 10,4 horas por semana a mais do que o homens aos afazeres domésticos. 

Com a checada de 2020 esse número mais do que dobrou com as crianças e idosos em casa. 

O dia só tem 24 horas pra todo mundo, homens e mulheres. Como elas vão se dedicar aos negócios se estão sobrecarregadas com as tarefas domésticas? Todo mundo na familia se beneficia de uma comida bem feita e da casa limpa. Por motivos culturais isso recai desproporcionalmente sobre a mulher. Mas cultura a gente muda com diálogo e exemplo, explica Renata Malheiros, coordenadora do Projeto Sebrae Delas.

As mulheres não foram afetadas somente pela perda de seus trabalhos, elas também foram as que mais tiveram a renda diminuída durante o período da pandemia.

A 9ª pesquisa de Impacto do coronavírus nos pequenos negócios, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicou que 75% das mulheres tiveram diminuição de renda em 2021, contra 71% dos homens. 

Mesmo sendo mais afetadas, as mulheres que permaneceram node seus negócios foram mais proativas. Afinal, as empreendedoras lançaram 46% mais produtos ou novos serviços e 76% delas usaram redes sociais ou internet para alavancar as vendas.

Enquanto isso, 41% dos empresários se dedicaram na criação de novos produtos ou serviços e 67% deles utilizaram canais digitais para vender. 

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De modo geral, as mulheres que continuaram a liderar empresas se demonstraram melhores gestoras do que os homens. Os fato foi constatado pela análise dos seguintes dados evidenciados pelo Sebrae:

  • Homens estão mais endividados: 38% dos empresários têm dívidas no CNPJ, mas estão em dia. Já 34% das mulheres empresárias estão na mesma situação. Entretanto, elas são mais cautelosas para contrair dívidas, já que 35% não possui dívidas, enquanto 30% dos homens possuem despesas relacionadas a contratação de empréstimo ou crédito empresarial;
  • Homens fizeram mais empréstimos bancários: qa maior parte das mulheres (51%) disse que buscou soluções inovadoras ao invés de fazer empréstimos bancários  na empesa. Enquanto isso, 46% dos homens empresários decidiram resolver problemas financeiros da empresa  contratando empréstimos bancários;

Mas vale dizer que não foram as mulheres as únicas afetadas. Os jovens e empreendedores de baixa renda também foram influenciados pelas crises desencadeadas pela pandemia.  Tais dificuldades levaram o Brasil de 4° para o 7° lugar no  ranking mundial de empreendedorismo.

Fonte: Sebrae, Administradores

 

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e especialista em Negócios Digitais. Tem mais de 600 artigos publicados em sites dos mais variados nichos e quatro anos de experiência em marketing digital. Em seus trabalhos, busca usar da informação consciente como um instrumento de impacto positivo na sociedade.
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