Novo Auxílio Emergencial: Valor não é suficiente para necessidades básicas em nenhum estado

O valor do novo auxílio emergencial, que será pago a partir de abril, não é suficiente para cobrir as necessidades básicas dos beneficiários do Brasil.

O valor de R$ 250,00 foi considerado como insuficiente para todas as 27 unidades da federação, seja na zona rural ou nas cidades.





Estas informações são de um estudo feito pelos pesquisadores do Insper, Naercio Menezes Filho e Bruno Komatsu, antecipado à BBC News Brasil, que fez uma simulação de comportamentos entre pobreza e desigualdade com o novo auxílio emergencial.

mulher em casa de más condições
Novo auxilio emergencial é insuficiente para garantir sustento adequado

Novo auxílio emergencial é estudado em pesquisa

A conclusão do estudo é que o impacto vai ser pequeno. Isso porque, se não houvesse mudança de comportamento das pessoas com as transferências, se a renda baixa não fosse a principal causa da busca de emprego, por exemplo, a pobreza e a desigualdade de renda seria próxima a um cenário sem benefícios.

Para chegar a essa conclusão, a pesquisa dividiu a pobreza em dois cenários:





  • Pobreza que mede a renda mínima para que cada pessoa consiga ingerir a quantidade necessária de calorias em um dia;
  • Pobreza que inclui o atendimento de necessidades básicas como alimentação e higiene.

Nos estados em que a linha de pobreza é baixa, o que significa que o custo para comprar alimentos e itens básicos é menor, o valor mínimo foi calculado em R$ 154 por pessoa.

Este foi o caso da zona rural de Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e Tocantins.

Ou seja, uma família formada por quatro pessoas com rendimento de um salário mínimo, equivalente a R$ 275,00 por pessoa, ela estaria acima da linha de pobreza.

No entanto, nas áreas urbanas desses mesmos estados, o valor praticamente dobra para pouco mais de R$ 300,00.

Usando o mesmo exemplo, neste caso, uma família com quatro pessoas viveria abaixo da linha de pobreza.

O valor mais alto foi identificado em Goiás, tanto na área rural, R$ 231,00, quanto urbana, R$ 402,00.





Vale saber que São Paulo tem a linha de pobreza mais alta, se comparada com as 11 regiões metropolitanas pesquisadas.

Neste local, o nível de renda mínimo para que uma pessoa fique acima dela é de R$ 592,00 por pessoa.

Novo auxílio emergencial não supre necessidades básicas

O governo federal anunciou em 18 de março, exatamente três depois do pagamento da última parcela do auxílio, os valores da prorrogação do benefício nos próximos quatro meses seguintes:

  • R$ 250,00 para as famílias com mais de uma pessoa;
  • R$ 375,00 para famílias em que só as mulheres são as provedoras;
  • R$ 150,00 para famílias de uma pessoa só.

O benefício será pago por família e isso significa que ela receberá apenas um valor.



Com isso, vale notar que o novo auxílio emergencial vai pagar menos e a um volume menor de brasileiros.



No ano passado, o auxílio emergencial custou R$ 290,9 bilhões, montante reduzido para R$ 44 bilhões em 2021.

Os dados são do Projeto de Emenda Constitucional (PEC), aprovado pelo Congresso em 15 de março.

A justificativa para essa redução foi a restrição de gastos do setor público, que viu as despesas cresceram com as ações para amortecer o impacto da pandemia.





No entanto, é importante saber que na maior parte dos casos, o recurso não é suficiente nem para garantir que a família viverá acima da linha da pobreza extrema, já que, de acordo com os pesquisadores, é de R$ 87,00, nas zonas rurais de Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e Tocantins.

Produtos estão mais caros

Alimentos e bebidas estão, em média, 15% mais caros nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro deste ano. Isso é quase três vezes a inflação oficial que atingiu 5,2%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Esse aumento esconde altas maiores, como arroz, quase 70% mais caro, nos últimos 12 meses, feijão preto, 50%, batata inglesa (47%), cebola (69%) e limão (79%).

O aumento da inflação de alimentos tem impacto, principalmente, nas famílias mais pobres.

Naercio revela que parte do problema seria resolvido se o novo auxílio emergencial tivesse uma estratégia melhor.

Ele conta que em vez de englobar famílias com renda domiciliar de até três salários mínimos (R$ 3.300,00), poderia ter colocado um limite menor e focar apenas nas famílias mais pobres para receber um valor maior do benefício.

Para o economista, o governo federal uma grande oportunidade de pensar em um programa estrutural contra a pobreza, que vem crescendo desde 2014 e que teve uma queda momentânea em 2020, devido à transferência massiva de renda para as famílias mais pobres do Brasil.

“Perdemos todo esse tempo e acabamos com um programa que não vai resolver o problema”, revelou o economista para o G1.

Simulação

Os economistas fizeram três simulações que também sinalizam a potência reduzida do auxílio aprovado para este ano.

Eles colocam o cenário que ocorreu e estimam dois cenários alternativos: um que exclui os rendimentos do benefício do governo federal de 2020 e outros que excluem a renda do auxílio 2020, mas acrescenta o de 2021.

Os parâmetros para as projeções foram de maio de 2020.

Em 2020, a pobreza caiu de 14,2%, em 2019, da população, para 7,9%.

Sem o auxílio, o percentual seria de 18,4%, próximo do valor que seria registrado no cenário sem auxílio em 2020, mas com auxílio em 2021, 18%.

Já, no caso da pobreza extrema, o indicador despencou de 5% em 2019 para 1,8%.

O nível seria de 8,6% sem auxílio em 2020 e de 7,9% sem auxílio em 2020, mas como auxílio em 2021.

Fontes: G1 e IBGE

Bruna Santos
Jornalista com mais de 7 anos de experiência. Atuou como redatora em jornais impressos, sites especializados em moda e agências de comunicação em Mogi das Cruzes, São Paulo e Goiânia. Fez parte da equipe voluntários da ONG Trupe do Riso, cuidando das redes sociais da instituição. Além de colaboradora da WebGo Content, atua na Agência Conect, especializada em comunicação e marketing para profissionais da Saúde.
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