Pandemia levou 4,3 milhões de brasileiros à pobreza

Em um ano de pandemia de Covid-19, mais de 4,3 milhões de brasileiros foram empurrados para a faixa de renda do trabalho considerada muito baixa nas regiões metropolitanas.

O movimento preocupa pesquisadores e foi verificado na quarta edição do boletim Desigualdade nas Metrópoles.

Publicidade

Publicidade

Número de pessoas com baixa renda aumentou com a pandemia. Foto: Agência Brasil
Número de pessoas com baixa renda aumentou com a pandemia. Foto: Agência Brasil

No primeiro trimestre do ano passado, período inicial da crise sanitária, as regiões metropolitanas somavam 20,2 milhões de pessoas em domicílios com renda per capita do trabalho inferior a um quarto do salário mínimo.

No mesmo intervalo de 2021, o número subiu para 24,5 milhões. Vale saber que o aumento de 4,3 milhões vem dessa comparação.

O boletim chegou ao resultado com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Publicidade

Publicidade

Entre o primeiro trimestre de 2020 e igual intervalo de 2021, o percentual de pessoas vivendo em domicílios com renda menor do que um quarto do salário mínimo pulou de 24,5% para 29,4% nas metrópoles.

vale saber que o estudo é produzido em parceria entre a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Observatório das Metrópoles e Observatório da Dívida Social na América Latina (RedODSAL).

Benefícios não são considerados

Saiba que os números consideram apenas a renda do trabalho, isso significa que os benefícios sociais como aposentadoria, Bolsa Família e auxílio emergencial não entram no cálculo.

Neste ano, um quarto do salário mínimo equivale a R$ 275,00. No ano anterior ele era de R$ 261,25.

A renda per capita domiciliar corresponde ao rendimento total do trabalho dividido pela quantidade de pessoas em cada residência.

Para o professor do programa de pós-graduação em ciências sociais da PUCRS e um dos coordenadores do boletim, André Salata, esse nível de renda muito baixo reflete na dinâmica do mercado de trabalho na pandemia. Ele afirma que os dados mostram a necessidade de benefícios como o auxílio emergencial.

Publicidade

Publicidade

De acordo com o estudo, a parcela dos 40% mais pobres sofreu a maior perda de renda nas metrópoles.

Isso porque em um ano, entre o primeiro trimestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021, o rendimento dessa camada despencou 33,4% nas regiões metropolitanas.

Nos primeiros três meses de 2020, a renda média do trabalho dos 40% mais pobres era estimada em R$ 233,94. Ao encolher 33,4% atingiu a marca de R$ 155,89 no início de 2021.

Enquanto isso, os 10% mais ricos tiveram queda bem menor, de 4,8%. Vale saber que a renda média do grupo recuou de R$ 6.921,41 para R$ 6.590,05 no mesmo intervalo.

Publicidade

Já os 50% da fazem parte da faixa intermediária registraram baixa de 7,6% (de R$ 1.313,12 para R$ 1.213,55).

Publicidade

Considerando toda a população houve queda de 8,5% no rendimento nas regiões metropolitanas. O indicador médio passou de R$ 1.423,93 para R$ 1.302,79. Vale saber que essa renda do trabalho retornar a patamar semelhante ao do início da série, em 2012.

Para o pesquisador o cenário é visto como complicado. Além da queda na renda do trabalho, analisada pela pesquisa, houve interrupção nos pagamentos do auxílio emergencial no começo do ano.

Trabalho remoto

Segundo Salata, a camada mais desfavorecida exerce atividades mais difíceis de atuar remotamente, o que impacta no rendimento do grupo.

Publicidade

Publicidade

“Os mais pobres tiveram uma queda muito mais acentuada na renda. Na base da pirâmide, existem pessoas que não conseguem fazer home office”, destaca Salata.

Vale saber que o estudo confirma uma tendência já verificada por outras pesquisas: o aumento da desigualdade durante a pandemia. Essa diferença entre a renda de ricos e pobres é medida pelo Coeficiente de Gini.

Na média móvel, o Coeficiente de Gini subiu de 0,608 para 0,637 entre o primeiro trimestre do ano passado e igual período deste ano. A nova marca é a maior da séria histórica, conforme dados do boletim.

“Tivemos dois elementos trabalhando juntos: a queda na renda média e a piora na distribuição”, destaca Salata.

Já o pesquisador Marcelo Ribeiro, do Observatório das Metrópoles diz que o quadro pode melhorar se a vacinação contra a Covid-19 for impulsionada nos próximos meses.

É importante reforçar que a imunização é apontada como necessária apra reduzir restrições e permitir a volta segura ao trabalho.

“A expectativa é que o avanço da vacinação possibilite maior aquecimento do mercado de trabalho. Mas os dados ainda são negativos”, afirma.

Para ambos pesquisadores, os números do boletim reforçam que a necessidade de medidas de proteção a camadas desfavorecidas nos próximos meses, como o auxílio emergencial.

Nesta semana, o governo federal confirmou a prorrogação do benefício com mais três parcelas.

Desta forma, o auxílio que acabaria em julho deve ser pago até outubro.

Jornalista com mais de 7 anos de experiência. Atuou como redatora em jornais impressos, sites especializados em moda e agências de comunicação em Mogi das Cruzes, São Paulo e Goiânia. Fez parte da equipe voluntários da ONG Trupe do Riso, cuidando das redes sociais da instituição. Além de colaboradora da WebGo Content, atua na Agência Conect, especializada em comunicação e marketing para profissionais da Saúde.
FacebookInstagramLinkedinWikipédia

Participe dos nossos grupos

WhatsappWhatsApp

Entre no Grupo e receba as notícias do dia

TelegramTelegram

Entre no Canal e receba as notícias do dia

FacebookFacebook

Curta nossa Página e receba as notícias do dia

Deixe seu comentário