Universidade lança plataforma e-commerce para ajudar pequenos empreendedores negros

A Universidade Zumbi dos Palmares (Unipalmares) lançou neste mês de maio a ShopBlack, uma plataforma de e-commerce para venda de produtos e serviços criados por empreendedores negros.

A ideia do projeto é fomentar o empreendedorismo negro e oferecer uma alternativa num momento de dificuldades econômicas, aumento do desemprego e redução de benefícios do governo federal, como o fim do auxílio emergencial.

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Como funciona o ShopBlack?

mulher negra em estabelecimento

O e-commerce ShopBlack foi construído para facilitar a venda de produtos e serviços comercializados por negros brasileiros. A partir da plataforma é possível divulgar e vender produtos e serviços, sendo uma ponte para a conquista de clientes e visibilidade.

O site funciona de forma semelhante a outras plataformas de marketplace populares, como o Magazine Luiza ou o Mercado Livre. Inclusive, a criação do site de e-commerce terá parcerias com a Magazine Luiza que já vem sendo executadas anteriormente ao lançamento do ShopBlack.

Em 2020, os alunos e professores participantes do ZumbiTech – a área de startups da universidade – colaboraram com um programa de trainees exclusivo para negros desenvolvido em parceria com a Magazine Luiza.

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José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares
José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, conhecida como Unipalmares.

O reitor da universidade e criador da ONG Afrobras, José Vicente, comentou no release oficial encaminhado à imprensa, que o principal objetivo do projeto é o empoderamento dos alunos e da comunidade negra:

Estamos pesquisando há um bom tempo essa perspectiva da circularidade econômica comunitária, ou seja, a possibilidade de o dinheiro girar entre a comunidade. E a gente então construiu uma hipótese que isso pode se desenvolver entre a comunidade negra, podendo comprar e vender entre os seus e, com isso, gerar recursos para fortalecer a própria comunidade e fortalecer empresas e empresários comunitários.”

A ideia inicial do ShopBlack incluía também um espaço físico para que os participantes pudessem se reunir, trocar ideias e ter oportunidades de treinamento e estudo sobre vendas digitais.

Entretanto, devido às consequências sociais e econômicas desencadeadas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) o lançamento da plataforma foi antecipado e os encontros presenciais foram descartados temporariamente.

A decisão por antecipar o lançamento do Shopblack foi impulsionada pelos  impactos da pandemia na população negra.

Confira também:

As consequências da pandemia para as desigualdades sociais

O ShopBlack chegou num momento em que as desigualdades sociais e raciais estão mais urgentes do que nunca. Afinal, conforme revelado por uma pesquisa científica desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com pesquisadores do núcleo de pesquisas urbanas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) a população negra é a mais vulnerável no Brasil.

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De acordo com os estudos que analisaram dados entre abril e maio de 2020 os negros foram os mais infectados pela Covid e também pela crise econômica. No período, os negros correspondiam a 57% dos óbitos em decorrência da Covid evidenciando a dificuldade de acesso à saúde pública.

Já quanto as consequências econômicas, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Penad Contínua) desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciou que os negros representam 72,9% dos desocupados do país, o que significa um total de 13,9 milhões de negros desempregados.

Ao mesmo tempo, grande parte da população negra brasileira também faz parte mais pobre da sociedade. Afinal, pesquisas do IBGE também de 2020 confirmam que há o triplo de negros entre os 10% com menores rendimentos per capita no Brasil. Isto é, o salário da população branca brasileira chega a ser duas vezes maior do que o da população preta e parda.

Diante desta situação, o ShopBlack chega num momento de emergência como uma tentativa de estimular e valorizar o potencial empreendedor dos negros, oferecendo a eles uma fonte de renda, visibilidade e de aprendizado.

A gente já tinha trabalho na perspectiva da economia comunitária por conta das nossas dificuldades da economia que já estavam colocadas. Nos últimos 5 anos, a economia teve uma dificuldade seríssima e ela atingiu principalmente essa classe menos favorecida, essa classe mais vulnerável, da qual o negro é a grande maioria.”, explica o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares.

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Para começar a fazer com que o projeto tenha impactos, a universidade conta a iniciativa dos 2 mil alunos matriculados na instituição. Mas os idealizadores acreditam que com o engajamento de outros brasileiros a plataforma possa assumir uma frente de economia comunitária e de impacto social no país.

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Fonte: Agência Brasil, IBGE e G1

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e especialista em Negócios Digitais. Tem mais de 600 artigos publicados em sites dos mais variados nichos e quatro anos de experiência em marketing digital. Em seus trabalhos, busca usar da informação consciente como um instrumento de impacto positivo na sociedade.
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