GNV ou GLP: qual economiza mais? Uso de gás de cozinha em carros virou projeto de lei

O preço do combustível está nas alturas. Somente em 2021, a gasolina ficou 31% mais cara até agosto e o etanol 41%. Como alternativa, muitos brasileiros aderiram a uma técnica clandestina para continuar a rodar: adaptar o carro para abastecer com gás de cozinha, o GLP (gás liquefeito de petróleo).

Mesmo antes do aumento da procura pela conversão, a técnica já estava sendo discutida no Congresso, através de um projeto de lei (PL 4217/19). 

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O projeto prevê a legalização de adaptação de carros para poderem rodar usando o GLP. Atualmente, a única técnica aceita é o do GNV (gás natural veicular), que também obteve aumento na procura em 2021.

O texto do projeto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e foi enviado para a votação no Plenário, em agosto.

Entretanto, o PL gerou polêmica. De um lado, os representantes dos distribuidores de GLP acreditam que a aprovação seria uma forma de regularizar e fiscalizar um serviço que já acontece.

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Além disso, também argumentam que o gás liquefeito é um combustível muito popular na Europa e que, ao concorrer com o uso do GNV, pode proporcionar economia aos consumidores.

Enquanto isso, os que são contrários a proposta argumentam que a autorização do GLP automotivo proporcionaria um aumento drástico do botijão de gás visto que é importado. O item considerado uma despesa básica do orçamento familiar e que já está com um histórico de alta. Por isso, as instituições contra veem a medida como um gasto desnecessário.

Uso de GLP no carro poderá ser aprovado na Câmara
Uso de GLP no carro poderá ser aprovado na Câmara | Imagem: Reprodução/
UOL

Usar botijão de gás no carro é mais econômico?

A conversão ilegal foi muito popular no fim da década de 1990. Segundo a Folha de São paulo, 25 mil veículos somente na Bahia usavam este tipo de combustível.

Naquela época, a reportagem garantia que com um botijão de 13kg, que custava R$ 9, podia-se rodar até 170 km.

Com o mesmo valor, não se comprava nem 10 litros de gasolina ou etanol, fazendo com que a autonomia entre os tipos de combustíveis se tornasse ainda mais vantajosa.

Hoje, o mesmo botijão de gás custa uma média de R$ 90 a R$ 100 dependendo da região. Portanto, se a conta da Folha de São Paulo continuasse válida, permitiria rodar 170 km com R$ 100.

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A mesma quilometragem com a gasolina a R$ 5,30 num carro que faz R$ 10 km/L gasta-se R$ 99,40. Ou seja, é quase elas por elas.

A economia, na prática, é muito menor do que a promessa dos kits ilegais em anúncios do Mercado Livre, que indicam uma autonomia de 30% a 50% maior.

Nas plataformas de marketplace, o kit de conversão pode ser encontrado por R$ 500,00 a R$ 1.000, pelo menos duas vezes mais baratos do que a adaptação com o GNV. Entretanto, se legalizado, também seria mais cara, considerando as necessidades de verificação de segurança.

Troca de mensagens em anuncio ilegal de venda de kit GLP no Mercado Livre | Imagem: Rprodução/Mercado Livre
Troca de mensagens em anuncio ilegal de venda de kit GLP no Mercado Livre | Imagem: Rprodução/Mercado Livre

Mas o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) garante que a conta é mais uma fraude. Para provar,  ele demonstra qual seria a verdadeira diferença:

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Segundo ele, o GNV – que pode ser usado legalmente – representa uma economia média de 51% em relação à gasolina e de 56% em relação ao etanol.

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Já no caso do GLP – o gás de cozinha – a economia seria de somente 4,4% em relação a gasolina e de 13,5% em relação ao etanol.

A baixa economia com a conversão ilegal não daria conta nem de suprir o investimento inicial. Segundo o cálculo do professor o usuário levaria mais de 38 meses para pagar o investimento de R$ 1.00, se rodar uma média de 1.000 km por mês.

Por conta do risco, da ilegalidade e da baixa economia, a melhor solução para economizar ainda é o uso do Gás Natural.

Gás natural é a melhor solução para quem quer economizar

Gás Natural garante economia de 50% a 60%
Gás Natural garante economia de 50% a 60% | Imagem: Reprodução/Garagem 360
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Com o GNV, gasta-se entre R$ 1.500 a R$ 5 mil com a adaptação, dependendo do tipo e tamanho do kit e sem contar a troca de documentação do veículo que varia conforme o Detran de cada região.

A economia, entretanto, é uma promessa garantida de 50% a 60%. Além disso, muitos estados também dão incentivos com isenção de IPVA ou descontos, já que este tipo de combustível é menos danoso ao meio ambiente.

Considerando estes descontos, a economia por quilômetro rodado com o GNV garante a recuperação do investimento em pouco mais de 12 meses, para aqueles que rodam uma média de 1.000 km por mês.

O aumento no preço do combustível fez com que a conversão fosse muito mais procurada. Segundo a Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) são mais de 2 milhões de carros adaptados rodando no Brasil.

Uso de GLP em veículos é proibido

A resolução 673 do Contran (ConselhoNacional de Trânsito) considera a conversão de veículos para GLP uma infração grave. Como consequência, é prevista a apreensão do carro, multa de R$ 195,23 e atuação de cinco pontos na carteira de habilitação.

Além do conselho de trânsito, a Lei 8.176 de 1991 também considera a conversão ilegal um crime de ordem econômica.

Ainda segundo o texto da lei este tipo de gás só pode ser utilizado em forma de botijão para consumo residencial ou comercial para fornos e fogões. Entretanto, nunca em motores de qualquer espécie, devido o risco de explosões.

Diferença do GNV e do GLP

O gás GLP tem mais moléculas de carbono, o que o torna mais explosivo. Enquanto isso, o GNV é uma mistura de gases, composto quase que totalmente de metano, o que o torna mais leve e menos problemático em casos de vazamento.

Entretanto,  recentemente vários estudos relacionamento o uso do GLP com o aumento de suficiência dos motores.

Na Europa, por exemplo, o GLP automotivo já é muito comum e um mercado em crescimento, De acordeo com dados da Acea (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis) o registro de novos veículos movidos a GLP aumentou 134% na União Europeia, representando 59,4 unidades.

Enquanto isso o mercado de GNV cresceu somente 42% no mesmo período, representando 13,5 mil novas unidades.

Qual é o combustível do futuro?

Caoa Chery Arrizo 5e
Caoa Chery Arrizo 5e | Imagem: Reprodução/CanalTech

Mas nem o GNV e nem o GLP são as apostas do futuro para o uso de um combustível mais barato e econômico, mas sim as alternativas que não dependem do petróleo. Ou seja, os carros elétricos.

Na União Europeia, no mesmo período, foram fabricados 400 mil novos carros elétricos durante o mesmo período.

Por aqui, já é possível comprar um carro elétrico por R$ 159.990 e que anda 320 km com somente uma carga de bateria, como é o caso do Caoa Chery Arrizo 5e, um dos modelos mais baratos vendidos no país.

Fonte: Câmara, G1, UOL, Exame, Folha de São Paulo

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e especialista em Negócios Digitais. Tem mais de 600 artigos publicados em sites dos mais variados nichos e quatro anos de experiência em marketing digital. Em seus trabalhos, busca usar da informação consciente como um instrumento de impacto positivo na sociedade.
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