Preço do açúcar vai subir devido à redução da colheita provocada pela geada

O 2º Levantamento da Safra 2021/22, divulgado na última quinta-feira (19/08), indica que a produção de cana-de-açúcar no país sofrerá uma queda considerável na atual safra, o que deve interferir no preço do açúcar nas prateleiras.

De acordo com o levantamento, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção deve cair 9,5% em relação à última temporada. Em números gerais, a expectativa é que a colheita tenha um volume de aproximadamente 62 milhões de toneladas a menos do que a safra anterior.

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Com a menor oferta da matéria-prima, não é só o preço do açúcar que deve ficar mais caro para o consumidor, mas também o do etanol. No caso do combustível à base de cana, a produção deve ser 13,1% menor em comparação com a safra 2020/21.

preço do açúcar vai subir
Queda na produção de cana-de-açúcar chegará ao bolso do consumidor. Foto: Reprodução/Canva

Conforme destaca o levantamento, os problemas climáticos aparecem como principais responsáveis pela queda na produção nesta safra.

Os efeitos climáticos adversos da estiagem durante o ciclo produtivo das lavouras e as baixas temperaturas registradas em junho e julho estão entre as causas da redução, que incluem ainda episódios de geadas em algumas áreas de produção, sobretudo nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul”, diz o texto.

As regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde ficam os dois estados citados, são as principais produtoras de açúcar do país, e também sofreram quedas na produção.

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No Sudeste, redução foi de 13,3%, e o volume está estimado agora em 371,5 milhões de toneladas. Já no Centro-Oeste, que tem produção prevista em 135,4 milhões de toneladas, a queda deve ser de 3,2%.

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Histórico do preço do açúcar

Com menos matéria-prima disponível, a produção de açúcar prevista para esta temporada é de 36,9 milhões de toneladas, 10,5% a menos do que o volume produzido na última temporada.

Mas como a alta no preço do açúcar é uma tendência que já vem sendo observada nos últimos meses, ela não será uma novidade para o consumidor.

Em São Paulo, por exemplo, dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) revelam que o preço médio do pacote de 5kg de açúcar cristal subiu mais de 60% no intervalo de um ano. Em 12 meses, o valor passou de R$ 9,37 para R$ 15,33, conforme podemos ver no gráfico abaixo.

Ainda segundo o Cepea, o preço da saca de 50 kg do açúcar cristal já vem sentindo os efeitos da queda na produção devido ao clima seco e as geadas nas lavouras paulistas. Na última segunda-feira, o valor da saca estava em R$ 134,43, o que representa um aumento de mais de 14% em apenas um mês.

Combustível também ficará mais caro

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Outra produção que deve ser afetada com a diminuição na atual safra é a de etanol. A produção total do combustível, que leva conta tanto o produto à base de cana-de açúcar quando o de milho, está estimada em 29,22 bilhões de litros neste ciclo. Com isso, a redução será de 10,8% em comparação ao anterior.

Mas se considerarmos apenas o etanol à base de cana, o estrago deve ser ainda maior. Com uma produção estimada em 25,86 bilhões de litros, a queda será de 13,1% em relação à última safra.

Entretanto, o professor Fabio Ricardo Marin, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), lembra que há um limite para o aumento no preço do etanol. Isso porque mesmo que o combustível encareça, ele não pode subir mais do que 70% do custo da gasolina.

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Outros alimentos afetados pela geada que podem ficar mais caros

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Além da cana-de-açúcar, o frio intenso que muitas regiões do país enfrentaram em julho ainda pode encarecer outros alimentos. Para piorar a situação, algumas áreas de produção de alimentos ainda sofreram com a crise hídrica no mesmo período.

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Entre as colheitas mais prejudicadas por esta situação, e que devem ficar ainda mais caras para o consumidor nos próximos meses, podemos destacar:

  • Hortaliças como batata, tomate e alface;
  • Frutas como banana, laranja, limão e manga;
  • Grãos como milho, feijão e café;
  • Carnes, que se não ficarem mais caras, tendem a se manter no mesmo patamar alto dos últimos meses, segundo Marin.

Fontes: G1 e Cepea.

Jornalista, ator profissional licenciado pelo SATED/PR e ex-repórter do Jornal O Repórter. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
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