Procon SP pede para bancos enviarem explicação sobre golpe do boleto

golpe do boleto
Golpe do boleto aumenta em 785% e faz Procon-SP cobrar medidas. Foto: Reprodução/Canva

Na última sexta-feira (03/09), o Procon-SP informou que notificou bancos e instituições financeiras cobrando explicações e medidas contra o chamado “novo golpe do boleto”, prática que vem aumentando após os recentes megavazamentos de dados.

Segundo a Axur, empresa especializada em riscos digitais, a frequência do golpe aumentou em 785% nos primeiros meses de 2021. Diante desse cenário, o Procon-SP destaca que bancos, fintechs e associações financeiras devem informar quais são as medidas de segurança para o consumidor consultar a autenticidade dos boletos.

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Além disso, a entidade também questiona as instituições sobre as medidas e planos de ação desenvolvidos para combater  estas práticas. Por conta do feriado da independência do Brasil, as empresas têm até 72 horas a partir do dia 8 de setembro para responder à notificação do Procon.

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Golpe do boleto aumenta em 785% e faz Procon-SP cobrar medidas. Foto: Reprodução/Canva

A lista de instituições financeiras que receberam a notificação do Procon-SP inclui as seguintes empresas:

  • Banco do Brasil;
  • Bradesco;
  • Itaú;
  • Santander;
  • Nubank;
  • C6 Bank;
  • Banco Inter;
  • Banco Pan;
  • Neon Pagamentos S/A;
  • BMG;
  • Federação Brasileira de Bancos (Febraban);
  • Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs);
  • Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI);
  • Conselho de Ética e Autorregulação da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).

Veja também: Vazamento de dados – Como conferir se suas informações foram usadas por criminosos?

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Como funciona o novo golpe do boleto?

Neste golpe, os criminosos se aproveitam de vazamentos de informações sensíveis, como CPF e CNPJ, para enganar as vítimas com falsas negociações.

Com acesso a informações como nome completo, CPF e telefone da vítima, os golpistas entram em contato oferecendo a renegociação de uma dívida ou um desconto para pagamento à vista em fatura de cartão.

Para enganar as vítimas, os criminosos utilizam técnicas que copiam o layout dos bancos para criar sites e gerar boletos parecidos. Com isso, as pessoas acabam não percebendo que se trata de um golpe, e perdem dinheiro ao pagar o falso boleto com o valor renegociado.

Conforme destaca Thiago Bordini, chefe de inteligência e distribuição de ameaças cibernéticas da Axur, esses golpes surgem graças a grandes vazamentos de dados, problema cada vez mais comum no país. Em janeiro, por exemplo, um megavazamento expôs dados de 223 milhões de brasileiros.

Com posse desses dados, os criminosos têm acesso a informações sobre dívidas das vítimas, facilitando a incidência de golpes. Segundo Bordini, os golpistas estão aproveitando os vazamentos e também as redes sociais para se reinventar e atormentar a população.

Por conta disso, o Procon-SP pede esclarecimentos das instituições financeiras sobre os mecanismos de seguranças em relação aos seus boletos, e as medidas para coibir os golpes e agir depois que eles ocorrem.

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Veja também: Nova lei cria código de segurança para CPF para evitar fraudes – saiba como vai funcionar

Como se proteger desse golpe?

De acordo com a Febraban, o boleto ainda é o método mais utilizado pelos brasileiros, e corresponde a cerca de 75% dos pagamentos. Por conta disso, é fundamental tomar alguns cuidados para não cair em golpes.

Ainda segundo a federação, uma das principais dicas é sempre checar os dados do beneficiário antes de pagar um boleto. Isso porque todos os boletos devem incluir o CPF ou CNPJ do emissor, valor e data de vencimento.

Outro ponto que merece atenção é a questão dos três primeiros números do código de barras, que devem corresponder ao código do banco que aparece no boleto.

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Caso as informações em algum destes campos pareçam suspeitas, é recomendado que o cliente entre em contato com a empresa beneficiária antes de concluir a operação.

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O mesmo cuidado vale para a própria abordagem oferecendo renegociação. Se o contato ou proposta parecer incomum, é importante entrar em contato com a instituição financeira para confirmar a procedência.

Ainda em relação aos boletos, outra dica da Febraban é sempre manter o antivírus ativados para se proteger do bolware, golpe que adultera o documento quando ele é gerado, permitindo a fraude em boletos via PDF.

Outra recomendação é habilitar o Débito Direto Autorizado (DDA) junto ao seu banco, ferramenta que permite o recebimento da versão eletrônica de todos os boletos que forem emitidos seu nome.

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Além disso, é importante tomar alguns cuidados básicos como trocar senhas periodicamente, utilizar serviços que geram senhas aleatórias e habilitar a verificação em duas etapas do WhatsApp.

Fontes: Tecnoblog e TechTudo

Felipe MatozoJornalista, ator profissional licenciado pelo SATED/PR e ex-repórter do Jornal O Repórter. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
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