Pobreza bate recorde no Brasil: somente 3 estados não estão mais pobres

Entre novembro de 2019 e janeiro de 2021, ou seja, durante a pandemia de covid-19 no Brasil, os índices de pobreza dispararam. Apenas três estados não tiveram registros de que as populações ficaram mais pobres. É isso que mostra uma pesquisa feita pelo economista e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), Daniel Duque.

A pobreza se manteve estável no Brasil apenas no Acre, Pará e Tocantins. Nos outros estados, inclusive no Distrito Federal, os brasileiros ficaram mais pobres durante esse período. 

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Onde houve o aumento da pobreza no Brasil?

Pobreza aumenta em quase todos os estados brasileiros
População brasileira fica mais pobre entre 2019 e 2021. Veja como a pobreza se alastrou no país durante a pandemia de covid-19 (Imagem: Mário Oliveira / SEMCOM Manaus_

A pobreza ficou mais intensa nos estados do Rio de Janeiro (de 16,9%, em 2019, para 23,8%, em 2021) e Roraima. Este estado teve um dos maiores aumentos registrados na população em extrema pobreza, de 8,7 pontos. O indicador foi de de 11,2% a 19,9% entre 2019 e 2021. 

Duque explica esse aumento pela entrada de venezuelanos em Roraima. 

Pela crise migratória, com uma grande entrada da população venezuelana, sem perspectiva, sem possibilidade de se inserir no mercado de trabalho. Por isso houve um aumento muito grande da extrema pobreza nesse estado.”, afirma o economista da FGV/Ibre. 

O Distrito Federal também registrou alta: os índices passaram de 12,9% para 20,8% no período estudado. 

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Na região Nordeste, o Piauí se destacou com a população em estado de pobreza: o aumento foi de 5,3 pontos percentuais (de 41,1%, para 46,4% em janeiro deste ano). 

Já o Amapá, no norte do país, foi o estado com a maior concentração de população pobre: 55,9%.

De uma forma geral, o economista e pesquisador responsável pelo estudo, atribui o aumento da pobreza na maioria dos estados brasileiros pela diminuição da oferta de empregos. 

Os principais fatores são a grande perda de vagas, devido à pandemia. E não apenas isso, pois houve uma perda de rendimento real de diversos trabalhadores que mantiveram seus empregos. Isso é devido a uma alta inflacionária no último período, que está se acelerando agora ao longo de 2021″, ressalta. 

A pesquisa foi feita com base no cruzamento de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram utilizadas a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad contínua) do primeiro trimestre de 2019 e a Pnad-Covid. 

Racismo estrutural e pobreza no Brasil

Em novembro de 2020, o IBGE divulgou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad contínua) referente aos anos de 2012 a 2019. Um dos destaques do estudo é a desigualdade entre pretos e pardos e brancos. 

A informalidade para pretos ou pardos é uma característica histórica, que percebemos em todos os anos da série da Pnad Contínua, que se inicia em 2012 e vai até 2019. É um grupo que requer atenção, é um grupo mais vulnerável, que não vai poder ter aposentadoria por tempo de serviço, que não tem direito a licenças remuneradas por afastamento por motivo de saúde ou licença gestante, então são mais vulneráveis em termos de pessoal ocupado”, explicou o coordenador da SIS, João Hallak.

De acordo com a Pnad contínua, 70% das pessoas abaixo da linha da pobreza eram de cor preta ou parda. Ao todo, 45,2 milhões de brasileiros moravam em residências com algum tipo de inadequação. Destes, 31,3 milhões eram pretos ou pardos.

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Com relação a emprego, 47,4% dos pretos e pardos ocupados no país estão em trabalhos informais, como atividades domésticas. Para os brancos, esse índice diminui para 34,5%.

A diferença na taxa de desocupação também é grande. Ela foi de 9,3%, para brancos, e 13,6% para pretos ou pardos.

A população de cor ou raça preta ou parda está mais presente na informalidade, possui menos anos de estudo, está em atividades que remuneram menos, então tudo isso contribui para que a renda do trabalho seja menor. Certamente, todos esses elementos tanto do mercado de trabalho quanto de fora do mercado de trabalho fazem com que tenham um rendimento domiciliar per capita inferior e se insiram relativamente mais nessas categorias de pobreza e extrema pobreza”, analisa Hallak.

O IBGE utiliza parâmetros da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para definir a informalidade. Outras bases, do Banco Mundial, são usados para estabelecer linhas de pobreza. 

Fontes: UOL e IBGE

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Marina Darie
Formada em Jornalismo pela PUCPR. Atualmente está cursando Pós Graduação em Questão Social e Direitos Humanos na mesma instituição de ensino. Tem paixão por informar as pessoas e acredita que a comunicação é uma ferramenta que pode mudar o mundo!
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