Conta de luz terá taxa extra de 52%: a crise hídrica pode levar ao racionamento ou apagão?


Conforme já era esperado, a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) se reuniu nesta terça-feira (29/06) para definir o novo valor da bandeira vermelha patamar 2. A bandeira que representa o nível mais alto da taxa extra na conta de luz e continuará sendo cobrada até o final de julho sofrerá um aumento de 52%.

Com o reajuste, a tarifa de energia elétrica já fica mais cara em todo o país a partir do próximo mês, que inicia na quinta-feira. A partir de julho, o valor da bandeira vermelha 2 sobe de R$ 6,24 a cada 100 kWh para R$ 9,49 por 100 kWh.

Nas últimas semanas, o diretor-geral da Aneel, André Pepitone, já havia indicado que o aumento na bandeira vermelha 2 seria superior a 20%. Mas o estrago poderia ter sido ainda maior para o bolso dos brasileiros, pois a área técnica da agência chegou a defender um aumento de 84%, o que representaria R$ 11,50 por 100 kWh.

taxa extra conta de luz
Crise hídrica deixa conta de luz mais cara e acende alerta para apagão. Foto: Reprodução/Canva

É importante lembrar que as bandeiras tarifárias indicam as condições de geração de energia no Brasil. Quando as condições são boas e as hidrelétricas dão conta da demanda, não há taxa extra na conta de luz, o que é representado pela bandeira verde.

Entretanto, quando há problemas e é preciso acionar as usinas termelétricas, os custos são repassados ao consumidor por meio das bandeiras amarela, vermelha ou vermelha 2. Esta última representa o patamar mais alto das bandeiras tarifárias, e é a taxa que os brasileiros vêm pagando desde junho.

Como a Aneel mudou apenas a bandeira mais cara, os outros níveis do sistema seguem com os mesmos valores.

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Por que a taxa extra da conta de luz está tão cara?

A crise hídrica que o Brasil vem enfrentando é a pior dos últimos 91 anos, o que faz os níveis do reservatórios do país caírem drasticamente. Para novembro, por exemplo, a expectativa é que o nível médio seja o menor em 20 anos.

Segundo Sandoval Feitosa, diretor da Aneel, é grande a probabilidade de termos ainda mais críticos do que o atual no segundo semestre do ano.

Diante da atual situação dos reservatórios das hidrelétricas, que os diretores da agência definiram como “excepcional”, as usinas térmicas são mais utilizadas. Entretanto, o custo destas usinas é mais alto, e este é um dos principais motivos para o aumento na conta de luz.

De acordo com Pepitone, o déficit no valor arrecadado pelas bandeiras em relação aos custos de acionamento das térmicas já está em R$ 1,5 bilhão e deve aumentar em julho. Para ele, manter o patamar das bandeiras em níveis mais baixos agora poderia deixar a conta ainda mais cara no futuro.

Brasil pode ter apagão em 2021?

Apesar da situação crítica que o país enfrenta, o Planalto vem negando qualquer risco de apagão no Brasil, o seria bastante prejudicial para a população e também desastroso para o governo às vésperas de ano eleitoral.

Vale lembrar que há um caso de apagão bastante recente no Brasil: o que ocorreu no Amapá em 2020. Foram três semanas de crise energética após um incêndio que ocorreu em uma subestação em Macapá.

Mas apesar das negativas do governo, se as suas ações não surtirem o efeito esperado, é possível que o nível dos reservatória caia para 7,5 no segundo semestre. Nesse caso, haveria um colapso no sistema de geração de energia e poderiam ocorrer falhas no fornecimento, ou seja, apagões.

Para evitar este risco, o governo criou um grupo interministerial que poderá tomar “medidas emergenciais” para tentar impedir este problema.

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Há chances de racionamento de luz em 2021?

Além dos riscos de apagão, o governo também afirma que não haverá racionamento de luz. Cabe destacar que racionamento e apagão são duas coisas diferentes. Racionamento é quando o governo determina um redução obrigatória no consumo, enquanto o apagão é uma falha imprevista no fornecimento de energia.

Um exemplo de racionamento é o que ocorreu entre julho de 2001 e fevereiro de 2002, quando o governo Fernando Henrique Cardoso impôs uma redução compulsória de 20% no consumo. Mas como o atual governo deve disputar a reeleição no ano que vem, a possibilidade segue descartada.

Fonte: UOL.

Jornalista, ator profissional licenciado pelo SATED/PR e ex-repórter do Jornal O Repórter. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.