Dificuldade de acesso à água e serviços básicos atingiu 38% da população brasileira em 2019

Em uma pandemia causada por um vírus, ter água para fazer a higienização correta das mãos e de pertences é um direito básico. Mas parece que isso não é uma realidade no Brasil. Dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, mostram que 38% da população brasileira tinha dificuldade de acesso à água e serviços básicos em 2019, um pouco antes da pandemia de covid-19 começar no país. 

Os Indicadores Sociais de Moradia no Contexto Pré-Pandemia mostram quê:

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  • 22,4% das famílias moravam em domicílios sem abastecimento diário ou estrutura de armazenamento de água;
  • 11,9% das famílias eram abastecidas por outra forma que não a rede geral de abastecimento de água;
  • 3,4% dos domicílios não estavam ligados à rede geral de água nem contavam com canalização;
  • 8,1% da população que vivia na pobreza não tinha banheiro em casa.

Em um cenário como este, a contaminação pelo novo coronavírus é fácil, como relembra um dos analistas do estudo, Bruno Mandelli Perez.

No contexto atual, no qual autoridades de saúde apontam a importância do distanciamento social e da lavagem das mãos com água e sabão para o combate à pandemia, o IBGE considera fundamental disponibilizar informações que auxiliem a superação da crise e a proteção da população frente ao grave quadro de saúde pública global”, explica Perez.

Dificuldade de acesso à água no Brasil

Veja dados sobre dificuldade de acesso à água no Brasil em 2019, de acordo com o IBGE
Dificuldade de acesso à água era realidade para 38% da população brasileira em 2019, um pouco antes da pandemia de covid-19 começar. (Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil)

O Brasil tem dimensões continentais. Com isso, as desigualdades se acentuam em algumas regiões.

De acordo com os Indicadores Sociais de Moradia no Contexto Pré-Pandemia, do IBGE, a maior quantidade de domicílios sem canalização interna de água e abastecidos principalmente de outra forma foi vista no no Pará, com 13,8% da população nesta situação.

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Os dados das regiões norte e nordeste estavam acima da média nacional em mais de 3%:

  • Norte: 10,7% dos domicílios sem canalização interna de água e abastecidos principalmente de outra forma ;
  • Nordeste: 7,9% dos domicílios sem canalização interna de água e abastecidos principalmente de outra forma;

Esse panorama aparece tanto nas áreas urbanas, quanto nas rurais. Segundo o IBGE, 10,4% das pessoas que moravam em áreas urbanas em 2019, que estavam conectadas ao sistema de abastecimento de água recebiam uma frequência reduzida de diariamente. 

No meio rural, 18,8% das pessoas não tinham a rede geral como a principal forma de abastecimento de água e não contavam com canalização interna nos domicílios.

Esses dados tornam ainda mais evidente a desigualdade no abastecimento de água nos domicílios brasileiros. Somente 62,2% da população dispunha de água oriunda de rede geral de distribuição, com abastecimento diário e com estrutura de armazenamento em seu domicílio, e, portanto, tinha melhores condições de cumprir as recomendações de higienização”, ressalta Perez.

Desperdício de água no país

Além da falta dificuldade de acesso à água por 38% da população brasileira, um grande problema enfrentado no país é o desperdício desse elemento. 

Um estudo feito pelo Instituto Trata Brasil, com dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, ano base 2019) mostra que 39,2% de toda água potável captada é desperdiçada e não chega nas residências do país. 

Mesmo considerando apenas os 60% deste volume que são de perdas físicas (vazamentos), estamos falando de uma quantidade suficiente para abastecer mais de 63 milhões de brasileiros em um ano, equivalente a 30% da população brasileira em 2019. Esse volume seria, portanto, mais que suficiente para levar água aos quase 35 milhões de brasileiros que até hoje não possuem acesso nem para lavar as mãos em plena pandemia. Poderia também atender, por quase três anos, aos mais de 13 milhões de brasileiros que habitam em favelas.”, revela a pesquisa. 

Em comparação com outros países, o Brasil desperdiça mais água do que muitos países subdesenvolvidos, como Camarões e Etiópia (29%), por exemplo. 

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O Índice de Perdas na Distribuição é pior nas seguintes cidades brasileiras:

  • Recife;
  • Rio Branco;
  • Cuiabá;
  • Cariacica;
  • Paulista;
  • Boa Vista;
  • São Luís;
  • Manaus;
  • Macapá;
  • Porto Velho. 

Fonte: IBGE

Marina Darie
Formada em Jornalismo pela PUCPR. Atualmente está cursando Pós Graduação em Questão Social e Direitos Humanos na mesma instituição de ensino. Tem paixão por informar as pessoas e acredita que a comunicação é uma ferramenta que pode mudar o mundo!
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