Endividamento dos brasileiros bate novo recorde em julho: confira os dados

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Endividamento atinge mais de 70% das famílias brasileiras. Foto: Reprodução/Canva

Mais uma vez, o índice de endividamento dos brasileiros atingiu o maior nível da série histórica, iniciada em 2010. Em julho, 71,4% das famílias do país fecharam o mês com dívidas.

Em comparação a junho, quando o índice de endividamento também bateu recorde, o aumento foi de 1,7%. Mas a alta de 4% em relação a julho de 2020 foi ainda mais significativa, pois representa o maior aumento no intervalo de um ano desde dezembro de 2019.

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Os números são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), e incluem dívidas de brasileiros com cartão de crédito, cheque pré-datado, empréstimo pessoal, crédito consignado, cheque especial, carnê de loja, além de prestação de carro e de imóvel.

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Endividamento atinge mais de 70% das famílias brasileiras. Foto: Reprodução/Canva

No caso das famílias em situação de inadimplência, o índice cresceu pelo terceiro mês seguido e chegou a 25,6%. O número é 0,5% maior que o registrado em junho, e 0,7% menor do que o nível observado em julho de 2020.

Outro percentual que voltou a crescer foi o de famílias que afirmaram que continuarão inadimplentes por não terem condições de pagar as dívidas atrasadas. Em julho, o índice chegou a 10,9%, o que representa um aumento de 1,1% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

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Em média, as famílias endividadas têm 30,5% da renda comprometida com as dívidas, o que é o maior nível desde 2017. Mas para uma em cada cinco dessas famílias, as dívidas comprometem mais da metade da renda.

Veja também: Alta da Selic aumenta taxa de juros e o risco de endividamentos

Famílias com renda menor são as mais endividadas

Na divisão por faixas de renda, os dados da pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra novos recordes de endividamento.

No caso das famílias com renda mensal de até 10 salários mínimos, o índice de endividamento chegou a 72,6% em julho, maior percentual da série histórica. Em 2020, o índice estava em 69% no mesmo mês.

Ainda neste grupo, o índice de inadimplência chegou a 28,7% no último mês, e 13,1% das famílias disseram que continuarão com as contas atrasadas.

Mas o grupo de famílias que recebem mais de 10 salários mínimos (mais de R$ 11 mil) por mês também apresentam altos níveis de endividamento, com recordes mensais desde fevereiro. Em julho, 66,3% das famílias deste grupo estavam endividadas.

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O índice de inadimplência nessa faixa de renda ficou em 12,1%, e 3,5% disseram não ter condições de colocar as contas em dia.

Principais vilões do endividamento

De acordo com a pesquisa, as dívidas com cartão de crédito são as mais comuns entre as famílias brasileiras. Ao todo, 82,7% dos endividados apontaram esta modalidade como fruto de endividamento, o que também é o maior patamar da série histórica.

Também aparecem em destaque na lista de vilões do endividamento os carnês de loja, apontados por 18% das famílias, o crédito pessoal (9,8%) e o financiamento da casa própria (9,7%). Em média, o tempo de atraso para pagamento das dívidas ficou em 61,9 dias no último mês.

Outro vilão destacado pela CNA foi a inflação elevada, que vem diminuindo o poder de compra dos brasileiros e prejudicando o orçamento familiar.

A renda dos consumidores também está afetada pelas fragilidades dos mercados de trabalho formal e informal, com o auxílio emergencial de menor valor pago este ano. Tais fatores têm também provocado o maior uso do crédito no cartão”, destaca o informe da pesquisa.

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Segundo a CNA, o cartão de crédito é a modalidade que oferece o maior custo para o consumidor quando se transforma em crédito rotativo. Por isso, há um alerta para o seu uso e o potencial de aumentar a inadimplência no futuro.

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Veja também: Dívida caduca depois de 5 anos? Saiba o que acontece de verdade

Como quitar as dívidas?

A recomendação da Serasa é que os consumidores procurem negociais valores pendentes, pois assim é possível evitar que as dívidas se acumulem e fique fora de controle.

Para isso, a própria entidade realiza o “Serasa Limpa Nome”, campanha que permite quitar dívidas por até R$ 100. O feirão da Serasa é realizado com frequência, por isso é importante ficar atento às oportunidades.

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Para negociar dívidas aproveitando os descontos da campanha, é só acessar o site do Serasa Limpa Nome, clicar para consultar suas dívidas e seguir os passos indicados na plataforma. Até quinta-feira (05/08), um milhão de pessoas já haviam quitado dívidas no feirão que segue até 22 de agosto.

Fonte: Agência Brasil.

Felipe MatozoJornalista, ator profissional licenciado pelo SATED/PR e ex-repórter do Jornal O Repórter. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
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