Pix: Método de Pagamento já é o preferido entre 78% dos brasileiros

Dois meses após seu lançamento oficial, o Pix já é responsável por 78% das transações bancárias no país, segundo dados do Banco Central e da CIP (Câmara Intercambiária de Pagamentos). O sistema de pagamentos instantâneos foi lançado pelo BC em novembro do ano passado, e conquistou grande popularidade em pouco tempo.

Um dos motivos apontados para o sucesso da ferramenta é a intensa divulgação realizada pelos próprios bancos. Essa postura das instituições financeiras aumentaram a popularidade da ferramenta, ajudando a despertar o interesse de mais clientes.

Além disso, as vantagens oferecidas pelo Pix, como facilidade de acesso, agilidade nas operações e o fato de não haver cobranças foram fundamentais para seu êxito entre o público.

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Segundo especialistas do mercado financeiro, a expectativa era de que o novo sistema levasse mais tempo para se popularizar. Entretanto, o processo de substituição dos antigos métodos de transferência bancária, como TED e DOC, foi bastante rápido.

Até o momento, o valor médio de transferências via Pix é de R$ 700, o que indica que o sistema ainda é utilizado de maneira ampla. Afinal, ele também serve para pagar contas do dia a dia, e não apenas para transferência de quantias mais altas.

De qualquer forma, dados indicam que a ferramenta vem sendo bem aceita pelo público. Segundo levantamento do Ibope divulgado pelo C6 Bank, 60% dos entrevistados consideram o Pix melhor do que métodos tradicionais, como os já citados TED e DOC.

Mas a alta adesão ao novo sistema também gera algumas consequências indesejáveis, como os golpes. Criminosos utilizam diferentes estratégias de engenharia digital para extorquir dinheiro por meio da plataforma, e é importante ficar atento aos principais golpes observados.

Só no primeiro mês de funcionamento, Pix movimentou R$ 80 bilhões

O Banco Central já tratava o novo sistema de pagamentos instantâneos como um “grande sucesso” em dezembro de 2020. Em seu primeiro mês de operações, o Pix já contava com mais de 90 milhões de transações, que juntas movimentaram mais de R$ 80 bilhões.

A aceitação da ferramenta foi uma surpresa positiva para o próprio Banco Central. Em dezembro, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou em um evento virtual que apesar de seu otimismo em relação ao sistema, sua expectativa era que a média de operações diárias naquele momento só seria alcançada após alguns meses, talvez mais de um ano.

Em um mês de funcionamento, o Pix cadastrou mais de 116 milhões de chaves e alcançou 49,4 milhões de usuários. Ao fim de 2020, duas semanas depois, o número de chaves já havia saltado para mais de 133 milhões – 128,1 milhões para pessoas físicas e 5,7 milhões para pessoas jurídicas.

A chave pode ser o número de CPF, CNPJ ou do celular do usuário, o seu endereço de e-mail, ou ainda uma chave aleatória que ele deseje cadastrar.

Uma das principais vantagens proporcionadas pelas chaves Pix é a agilidade no pagamento. Afinal, esta é a única informação que o destinatário precisa informar para receber dinheiro por meio do sistema, dispensando a necessidade de agência, conta e outros dados pessoais como acontecia anteriormente.

Varejistas ainda não aderiram ao sistema

Apesar do sucesso do Pix entre o público, grandes varejistas e marketplaces como Amazon e Mercado Livre ainda não adotaram o sistema como meio de pagamento. Com isso, as operações com o Pix de pessoa física para empresa representam menos de 7% das transações no sistema.

As principais explicações para esse impasse são relacionadas a questões tecnológicas. Para João Bragança, consultor da Roland Berger, há um desafio para integrar os softwares das lojas com os sistemas de logística e suprimento. Além disso, ele ainda destaca um problema de oferta das credenciadoras.

Enquanto isso, Rodrigo Furiato, diretor de carteira digital do Mercado Pago, afirma que algumas grandes varejistas que são clientes da plataforma têm receios em relação aos bancos. Isso porque muitos bancos ainda não têm 100% de sucesso nas operações com o novo sistema, o que pode prejudicar a experiência do cliente.

Segundo Furiato, esta é uma das razões para o Mercado Livre, dono do Mercado Pago, ainda não adotar o Pix como opção de pagamento.

Por outro lado, há grandes varejistas que já operam com o novo sistema. As Lojas Americanas foram pioneiras nessa iniciativa, e já observam seus clientes aderirem aos poucos à opção. A empresa vem oferecendo estímulos para aumentar a adesão, como descontos de 5%, por exemplo.

Felipe Matozo
Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter, repórter do Jornal O Repórter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
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