Quase 30 mil militares furam a fila da vacinação contra covid e recebem doses do calendário oficial

Segundo investigação do Ministério Público Federal (MPF) sobre irregularidades na campanha de vacinação, cerca de 30 mil militares das Forças Armadas furaram a fila da vacinação contra a Covid-19 no Distrito Federal.

O MPF abriu inquérito para investigar casos de fura-fila nas Forças Armadas e na Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em Brasília no final de junho. De acordo com o órgão, a vacinação dessa quantidade de militares viola as regras do Programa Nacional de Imunizações (PNI), elaborado pelo Ministério da Saúde.





Isso porque o PNI determina que apenas os militares da linha de frente do combate ao coronavírus tenham prioridade, mas o número corresponde a todo o efetivo das Forças Armadas em Brasília.

vacinação militares
Governo incluiu militares da ativa entre os grupos prioritários para vacinação. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Em nota, o Ministério da Defesa alegou que a vacinação de militares e servidores administrativos acompanha os grupos prioritários indicados pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19.

Mas conforme mostrou reportagem do jornal Folha de S. Paulo, no início de junho, o Exército já vacinava militares e outros servidores de 43 anos de idade, enquanto a imunização na capital estava na faixa de 50 a 59 anos.





Enquanto isso, a Secretaria de Saúde, responsável por informar o MPF sobre o número de militares vacinados, e o Ministério da Saúde ainda não se manifestaram.

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Investigação do caso

No dia 22 de junho, há exatamente um mês, a Secretaria de Saúde enviou um ofício ao Ministério Público informando que aproximadamente 30 mil servidores das Forças Armadas entraram para o grupo prioritário na campanha de vacinação em Brasília.

Após receber o documento, o MPF questionou o Ministério da Defesa sobre o número total de militares das Forças Armadas no Distrito Federal. Em julho, a pasta respondeu que o efetivo em Brasília é de 29.671:

  • 18.406 militares do Exército;
  • 7.687 da Aeronáutica;
  • 3.704 da Marinha.

Dessa forma, os números indicam que o governo incluiu todos os militares da ativa em Brasília como prioridade durante a vacinação contra o novo coronavírus, furando a fila na capital por contrariar as regras do PNI.

Em depoimento prestado para o inquérito no dia 29 de junho, a subsecretária de Planejamento em Saúde do Distrito Federal, Christiane Braga, afirmou que as Forças Armadas recebem doses específicas do Ministério da Saúde.





A procuradora da República responsável pelo caso, Ana Carolina Roman, ressaltou que apenas os profissionais da linha de frente têm direito à prioridade, conforme nota técnica do Ministério da Saúde. Como os demais servidores devem acompanhar a campanha de vacinação, Roman disse não entender porque todos os militares do DF foram imunizados.

Questionados pela procuradora, integrantes do PNI alegaram que os militares foram incluídos como prioridade por este ser “um serviço essencial para manutenção da ordem”.

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Militares das Forças Armadas não foram os únicos a furar a fila da vacinação

Além do caso dos militares, a investigação do MPF também apura denúncia de que servidores da Abin tenham furado a fila da vacinação em Brasília. Segundo informação revelada pelo jornal O Globo, há suspeita de que eles passaram na frente de outros públicos para receber a vacina.



A Associação de Servidores da Abin (Asbin) afirmou que os profissionais se expõem aos riscos da covid-19 e defendeu a priorização.



Mas a investigação do MPF se baseia na notícia de servidores administrativos da Abin e das Forças Armadas foram imunizados mesmo sem se enquadrar nos critérios para vacinação do Governo do DF.

O governo distrital admitiu que 130 servidores da Abin receberam a vacina contra covid-19 entre abril e maio. A operação aconteceu na Praça dos Cristais, ponto de vacinação que fica em frente ao quartel-general do Exército Brasileiro e onde a campanha acontece em parceria com o Comando Militar do Planalto.

A Secretaria de Saúde afirmou que enviou a lista dos vacinados da Abin diretamente ao Exército, por conta do “sigilo das atividades e nomes dos servidores”.





Fonte: G1.

Felipe Matozo
Jornalista formado pelo Centro Universitário Internacional Uninter, repórter do Jornal O Repórter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
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