População sem teto aumenta 70% em São Paulo e cidade cria sistema de recompensa para assistentes que convencerem pessoas a ir para abrigos

A pandemia de covid-19 trouxe desafios inimagináveis para muitas famílias. Desemprego e  altos custos de vida fizeram com que pessoas fossem morar nas ruas de um dia para outro. Em São Paulo, o número de famílias sem teto que procuraram por abrigos aumentou em 70%.

De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, em maio de 2020, em média, 204 pessoas eram atendidas diariamente pelos Centros de Acolhimento Especial (CAEs) para famílias. No mesmo período deste ano,  348 cidadãos, entre adultos e crianças, procuraram pelos abrigos. 

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Notamos aumento no número de famílias na rua, o que não é comum (…) Tivemos, inclusive por conta da pandemia, muitas pessoas que perderam o emprego e a moradia. Dependemos de um aquecimento desse cenário econômico para ter diminuição dessas pessoas na rua.”, afirma a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Berenice Giannella, sobre o índice de famílias sem teto em São Paulo. 

Muda o perfil de pessoas que procuram por abrigos em São Paulo

Aumenta procura por abrigos em São Paulo
Procura por abrigos aumenta 70% entre famílias em situação de rua em São Paulo ( Imagem: José Cruz/Agência Brasil)

O último censo oficial feito pela Prefeitura de São Paulo sobre a busca por abrigos, realizado em 2019, mostra que o perfil mais comum das pessoas que buscavam por esse serviço era de homens, adultos e sozinhos. 

Atualmente, é visível que mais famílias estão procurando por abrigos na capital paulista.

A percepção que temos hoje andando pela cidade é de que existe um número maior de famílias na rua. Que, muito provavelmente, perderam suas residências, deixaram de conseguir pagar o aluguel. A gente notou isso já no 2º semestre do ano passado”, disse Berenice em entrevista ao Estadão.

Para comprovar a afirmação da secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, um novo censo será realizado neste ano. Ele só deveria ser feito oficialmente em 2023. 

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A pesquisa vai abordar dois grupos: crianças e adolescentes na primeira etapa, em setembro, e adultos na segunda fase, no mês de outubro. 

Abertura de abrigos em São Paulo

Em dezembro do ano passado, o antigo hotel Art-Palácio, na República, foi transformado em um abrigo. Ele consegue abrigar 260 pessoas e conta com 70 suítes.

Outro hotel, chamado de  Natal, em Santa Cecília, também virou um abrigo. Ele acomoda até 110 pessoas em 55 suítes.

Atualmente, existem oito CAEs na região central e nas Subprefeituras da Mooca, Ermelino Matarazzo, Penha e Santana.

Neste inverno, os clubes esportivos também foram transformados em abrigos. O Clube Esportivo Tietê abriu 200 vagas. Já o  Clube Pelezão tem 140 vagas disponíveis. Nesses locais, a população têm acesso a refeições, banheiros, kits de higiene, atendimento social e recebem encaminhamento para outras políticas públicas.

Recolhimento de pessoas no frio de São Paulo

A pandemia de covid-19 não é o único problema que a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social deve se preocupar. As baixas temperaturas que têm sido registradas em São Paulo neste inverno podem levar à óbito muitas famílias em situação de rua na capital paulista. 

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Segundo o Movimento Estadual das Pessoas em Situação de Rua (MEPSR-SP), 13 pessoas já morreram por esse motivo na cidade. 

Para evitar esse tipo de situação, a Prefeitura de São Paulo  antecipou a Operação Baixas Temperaturas e já fez 1.043.307 acolhimentos em 82 dias. As ações devem ser realizadas até 30 de setembro. 

O objetivo é zelar pela segurança e bem-estar da população em situação de rua, promovendo o acolhimento de crianças, adolescentes, adultos, idosos e famílias nos dias mais frios do ano”, informou a prefeitura em nota.

Durante o dia, as abordagens são feitas por equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS). No período noturno, elas são de responsabilidade da Coordenação de Pronto Atendimento Social (CEPAS). 

Quem recusa atendimento, recebe um cobertor. 

Temos os ônibus que vão recolhendo as coisas das pessoas e as encaminhando para esses locais para pernoitar. De 30 de abril até agora foram mais de 14 mil pernoites. Mas tivemos 1.900 abordagens em que as pessoas se recusaram a irem para esses abrigos”, disse o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. 

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Como uma forma de evitar que isso aconteça, a prefeitura da capital paulista estuda criar um programa de recompensa. Nele, o agente da assistência social que conseguir convencer pessoas em situação de rua a ir para abrigos em noites muito frias, receberia uma compensação ou pagamento. 

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Fontes: G1,Terra e R7

Marina Darie
Formada em Jornalismo pela PUCPR. Atualmente está cursando Pós Graduação em Questão Social e Direitos Humanos na mesma instituição de ensino. Tem paixão por informar as pessoas e acredita que a comunicação é uma ferramenta que pode mudar o mundo!
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