Valor atual do Bolsa Família está 20% menor do que 2014 considerando inflação

Desde que foi criado em outubro de 2003, o Bolsa Família cresceu ao longo dos anos, mas na comparação considerando os valores corrigidos pela inflação, a diferença entre o benefício atual e do início do programa não é tão expressiva. Em comparação a 2014, por exemplo, o valor chega a ser 20% menor.

É o que mostra um levantamento do UOL com base na série histórica do Ministério da Cidadania. Na comparação de valores médios corrigidos pela inflação atualizada pelo IPCA, o pagamento cresceu apenas R$9 entre janeiro de 2004 e janeiro de 2021, e atualmente é o menor dos últimos 10 anos.

Publicidade

Publicidade

Por isso, mesmo com a mudança anunciada no programa para o Auxílio Brasil, que deve pagar mais que o formato atual, o aumento no benefício pode não ser tão expressivo quanto representa.

bolsa família inflação
Em valores corrigidos pela inflação, valor do Bolsa Família é o menor desde 2011. Foto: Ana Nascimento/CCE

Apesar de dar como certo o novo programa e prometer um valor maior, o governo ainda não confirmou de quanto será o pagamento.

Segundo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Auxílio Brasil deve pagar no mínimo 50% a mais que o Bolsa Família, que atualmente tem um valor médio de R$ 192,00. No entanto, o governo ainda não garantiu o dinheiro para aumentar o programa social.

Publicidade

Publicidade

Histórico de valores do Bolsa Família corrigidos pela inflação

O levantamento considera os valores médios do Bolsa Família entre os anos de 2004 e de 2021, devidamente corrigidos pela inflação medida pelo IPCA do último mês de junho. Mas no caso do ano atual, o mês escolhido para a comparação foi janeiro, pois o valor do benefício caiu durante os meses de pagamento do auxílio emergencial.

Além disso, é importante destacar que apesar de o levantamento começar em 2004, os pagamentos do Bolsa Família iniciaram em 2003. Na época, o programa foi instituído pelo ex-presidente Lula (PT), e teve o mesmo valor médio que janeiro do ano seguinte: R$ 72,81, o que corresponde a R$ 188,43 nos valores atuais.

A seguir, confira a evolução ano a ano dos valores do Bolsa Família corrigidos pela inflação de junho de 2021:

  • 2004 – R$ 188,43
  • 2005 – R$ 157,69
  • 2006 – R$ 141,58
  • 2007 – R$ 138,23
  • 2008 – R$ 159,31
  • 2009 – R$ 166,96
  • 2010 – R$ 176,53
  • 2011 – R$ 170,02
  • 2012 – R$ 198,61
  • 2013 – R$ 228,14
  • 2014 – R$ 227,25
  • 2015 – R$ 238,14
  • 2016 – R$ 207,08
  • 2017 – R$ 216,21
  • 2018 – R$ 209,43
  • 2019 – R$ 212,57
  • 2020 – R$ 207,15
  • 2021 – R$ 197,75

Como podemos ver, neste ano o valor ficou abaixo dos R$ 200 pela primeira vez desde 2012. Além disso, a diferença para a cesta básica em São Paulo, então avaliada em R$ 678,78, é a maior da história do Bolsa Família.

Apesar de 2015 ser o ano com o maior valor médio do programa, o maior pagamento registrado pelo levantamento se deu em setembro de 2014. Naquele mês, o benefício chegou a R$ 247,31, na correção pelo IPCA.

Entretanto, o valor começou a cair a partir de 2016, quando o pagamento médio foi R$ 31 menor que o do ano anterior, considerando a inflação.

Publicidade

Publicidade

Veja também: População brasileira ficou 10% mais pobre em 2021

Poder de compra do Bolsa Família também diminuiu

Outros indicador preocupante em relação ao programa é o que comparam o seu valor com o da cesta básica. Como a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Dieese, não tem dados do país, o levantamento considerou os valores de São Paulo para a comparação.

Em janeiro deste ano, o Bolsa Família comprava apenas 29% do conjunto de alimentos essenciais, o que representa o menor índice do levantamento. O segundo pior nível do ranking foi em 2008, quando o valor correspondia a 32,92% da cesta básica.

Isso representa não apenas a desvalorização do programa, mas também o aumento no custo de vida do brasileiro. Além dos alimentos, outros itens essenciais como gás e tarifa de energia também subiram consideravelmente nos últimos meses, o que derruba o poder de consumo dos mais pobres.

Publicidade

Por conta disso, o diretor da FGV Social, Marcelo Neri, afirma que qualquer reajuste no Bolsa Família servirá para repor as perdas acumuladas desde 2014. Segundo o economista, desde então as atualizações do programa não foram suficientes para recuperar o poder de compra, o que contribuiu para o aumento da extrema pobreza.

Publicidade

Qual será o valor do Auxílio Brasil?

Diante de todo este cenário, o governo prepara uma reformulação no Bolsa Família, que deve passar a se chamar Auxílio Brasil. A expectativa do Planalto é fazer a mudança até novembro, antes de entrarmos em ano eleitoral.

Segundo Marcelo Neri, isso não é novidade, pois é comum que o valor do benefício aumente em anos de eleição. Por outro lado, os valores acabam caindo nos anos seguintes.

De fato, a adoção do Auxílio Brasil se mostra como estratégia de campanha de Bolsonaro, que vai gastar R$ 67 bilhões para aumentar sua popularidade em 2022. Além de prometer um valor maior, o presidente muda o nome do programa para que ele não tenha ligação com seu principal adversário político, o ex-presidente Lula.

Publicidade

Publicidade

Mas o valor do novo programa ainda é incerto, e depende de aprovações do Congresso para medidas pretendidas pelo governo.

Se o pagamento realmente for 50% maior que o atual, conforme Bolsonaro comentou, ele ficará em torno de R$ 280, o que está dentro do limite de R$ 300 apontado pela equipe econômica. Entretanto, o próprio presidente já afirmou que o Auxílio Brasil deve ser de R$ 400.

Fonte: UOL.

Jornalista, ator profissional licenciado pelo SATED/PR e ex-repórter do Jornal O Repórter. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
FacebookLinkedinTwitterYoutube

Participe dos nossos grupos

WhatsappWhatsApp

Entre no Grupo e receba as notícias do dia

TelegramTelegram

Entre no Canal e receba as notícias do dia

FacebookFacebook

Curta nossa Página e receba as notícias do dia

Deixe seu comentário