Quase 70% dos brasileiros estão desanimados com a economia


Segundo uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada na segunda-feira (20/09) pelo jornal Folha de S. Paulo, 69% dos brasileiros consideram que a economia do país piorou nos últimos meses.

Entre os entrevistados, apenas 11% acreditam que a situação econômica melhorou, enquanto uma em cada dez pessoas (20%) afirmaram que ela ficou como estava.

Com o resultado da última pesquisa, o número de brasileiros que acredita que a economia piorou se aproxima dos maiores níveis já registrados. Os únicos momentos em que esta percepção esteve tão alta foi às vésperas do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef (PT) e nos meses finais do governo Michel Temer (MDB).

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Maioria dos brasileiros acredita que economia piorou nos últimos meses, inclusive dentro de casa. Foto: Reprodução/Canva

Entre junho de 2015 e fevereiro de 2016, quando Dilma ainda era presidente, o índice de brasileiros que julgavam que a situação econômica do país havia piorado em relação aos meses anteriores variou entre 82% e 80%. O processo de impeachment da ex-presidente foi encerrado em agosto de 2016.

Depois disso, a única vez em que o índice ficou acima do patamar atual foi em junho de 2018 (72%), durante o governo Temer.

Já em relação ao atual governo, o número só aumentou desde que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assumiu o mandato em janeiro de 2019. Em abril daquele ano, 31% dos brasileiros acreditavam que a economia estava pior.

Na pesquisa anterior, de dezembro de 2019, o índice estava em 37%, o que representa um salto de 32% entre um levantamento e outro.

Mas em relação à situação econômica pessoal, a percepção de piora é a maior da série histórica. Na pesquisa atual, 53% dos brasileiros afirmaram que a própria situação piorou nos últimos meses, superando os recordes anteriores (51%), de 2015.

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Alta nos preços contribui para imagem negativa da economia para os brasileiros

Um dos principais para má avaliação dos brasileiros em relação à economia é a disparada no preço de diversos itens essenciais, que vem puxando a inflação para cima.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos meses, diversos itens subiram muito acima da inflação. No ranking de maiores aumentos no acumulado do ano, por exemplo, etanol (40,75%), gasolina (31,09%) e óleo diesel (28,02%) aparecem entre as 10 primeiras colocações.

Além disso, a lista de itens com maiores altas em 2021 ainda traz alimentos como pepino (78,51%), abobrinha (72,90%) e pimentão (58,18%), que ocupam as três primeiras posições do ranking.

Neste cenário, a inflação em agosto subiu 0,87% e teve pior patamar para o mês nos últimos 21 anos, fazendo com a alta acumulada em 12 meses se aproximar dos dois dígitos, fechando o período em 9,68%.

Com isso, o mercado financeiro voltou a subir a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No último relatório “Focus”, a previsão para a inflação de 2021 passou de 8% para 8,35%, muito acima do teto da meta para este ano, que é de 5,25%.

Voltando à pesquisa do Datafolha, o levantamento também mostrou que três em cada quatro brasileiros culpam Bolsonaro pela alta da inflação. Para 41% dos entrevistados, o governo tem muita responsabilidade pelo aumento no índice de preços. Enquanto isso, 34% afirmaram que a atual gestão tem um pouco de responsabilidade, e outra 23% disseram não haver nenhuma.

Em relação às expectativas para o futuro, a pesquisa voltou a demonstrar o pessimismo dos brasileiros com a economia, pois a maioria (69%) acredita que a inflação vai aumentar.

Desemprego também continua em alta

Outro indicador que ainda preocupa os brasileiros é a taxa de desemprego. Após atingir patamar recorde neste ano, o desemprego teve leve recuo em agosto, mas ainda atinge 14,4 milhões de pessoas no país.

De acordo com a pesquisa do Datafolha, 71% dos brasileiros culpam Bolsonaro pela alta no desemprego. Nesse caso, 39% avaliam que o presidente tem muita responsabilidade pelo alto índice e outros 32% consideram que ele tem um pouco. Enquanto isso, 27% dos entrevistados acreditam que o governo não tem responsabilidade.

Quanto à expectativa com os próximos meses, a maioria dos brasileiros se mostra pessimista em relação ao mercado de trabalho. Segundo a pesquisa, 54% das pessoas acreditam que o desemprego irá aumentar, enquanto 19% acham que a taxa vai diminuir e 25% que ficará como está.

Fonte: G1.

Jornalista, ator profissional licenciado pelo SATED/PR e ex-repórter do Jornal O Repórter. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.